Um livro sobre música, paixão e tragédia


Michel Laub esteve em Curitiba em novembro. Não para lançar seu mais recente livro, A maçã envenenada (Cia das Letras, 2013), mas para um bate-papo descompromissado com seus leitores – encerrando, assim, a edição 2013 do projeto Um escritor na Biblioteca, promovido pela Biblioteca Pública do Paraná. De jeito simples e respostas esquivas, o gaúcho falou um pouco sobre sua trajetória, o jornalismo, a literatura e como ambos influenciam em seu processo criativo.

 

Em seus livros, Laub mantém, quase sempre, uma íntima relação com a memória – o que causa no leitor a dúvida permanente sobre a narrativa: seria ela pura ficção ou fatos de uma autobiografia? E é exatamente esta a pergunta que fica ao se ler A maçã envenenada, segundo livro de uma trilogia que pretende traduzir as reverberações, no plano individual, de grandes tragédias históricas – tríade iniciada com Diário da Queda (Cia das Letras, 2011).

 

Se, no primeiro livro, Laub relatou as consequências do Holocausto na vida de um adolescente judeu (sendo ele mesmo judeu), agora, traz à tona uma intersecção menos evidente: o suicídio de Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, em 1994; a experiência de Immaculée Ilibagiza, sobrevivente do massacre de Ruanda, naquele mesmo ano; e os dilemas de um jovem estudante, dividido entre a faculdade de Direito, o serviço militar no Exército, sua banda de rock’n'roll e a conturbada relação com a namorada.

 

 

Embora o resultado final deste entrelaçamento não tenha o mesmo impacto e harmonia do primeiro livro, A maçã envenenada traz à tona temas caros à condição humana, como religião, suicídio e a própria sobrevivência. As dores do amadurecimento, os ritos de passagem e a busca pela identidade – questões recorrentes nos romances de formação – também estão ali. No que diz respeito à forma, o autor mantém a narrativa memorialística, fragmentada em pequenos capítulos (não lineares no tempo e espaço). A linguagem, menos repetitiva, ainda se alterna entre a concisão e o lirismo, o informativo e o confessional.

 

Após retratar um adolescente dos anos 1980 – em Diário da Queda – e um jovem dos anos 1990 – em A maçã envenenada –, Michel Laub pretende fechar a trilogia com a história de um personagem adulto, ambientada nos anos 2000. Apesar de ainda não ter um nome, o livro deve encerrar também o ciclo ficcional na carreira do escritor gaúcho. 

   A maçã envenenada    

   Autor: Michel Laub    

   Editora: Cia das Letras    

   Lançamento: 2013    

   Páginas: 120    

   Preço: R$ 29,50    

 

 

 

 
 

 

 

 

 

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