TikTok segue crescimento exponencial no período de pandemia e se torna uma oportunidade de engajamento para as marcas brasileiras


Com o isolamento social sem data para terminar, o tempo gasto em serviços e aplicativos on-line tem servido como uma forma de se conectar com as pessoas próximas, mas também como entretenimento. Dentre as mídias sociais, a mais popular do momento é o TikTok.

De acordo com o site Sensor Tower, o aplicativo que surgiu em 2016 na China, registrou cerca de 113 milhões de downloads globalmente no mês de fevereiro, ficando na frente de aplicativos populares como o Facebook e WhatsApp. Ainda segundo o report, o país com o crescimento mais rápido de audiência do aplicativo foi o Brasil, com aumento significativo de 992,6% de downloads em relação à fevereiro de 2019. Em âmbito global, o Brasil passou de 1,5% para 8,6% nas participações do app.

A coolhunter Andrea Greca que faz parte da agência de pesquisa de tendências Berlin (@berlin_cwb), nos contou que o Brasil já estava na rota de investimento do aplicativo: “O grupo chinês que controla o TikTok afirmou recentemente que pretende investir na divulgação e formação de uma comunidade sólida no Brasil este ano, então será difícil escapar”.

Diferentes de outras mídias sociais, a plataforma aceita apenas vídeos verticais que podem ter músicas e efeitos visuais de 15 à 60 segundos e, não à toa, se assemelha muito com o aplicativo Musica.Ly. A empresa chinesa ByteDance, responsável pelo TikTok, comprou os direitos do aplicativo em 2017. Andrea nos lembra que o Musica.ly também já fazia muito sucesso no Brasil: “Considerando que o TikTok é a nova versão do Musica.ly, um app que chegou a ser o mais baixado no Brasil em 2015, e que o número de usuários globais não para de crescer desde o lançamento em 2018, a tendência é que continue se popularizando. A plataforma é ideal para as pessoas, em especial os jovens, expressarem seu lado criativo e irreverente”, completa.

COM QUEM FALO?

O TikTok tem como maioria usuários a Geração Z e Millennium, Andrea comenta que o aplicativo tem total alinhamento com essas gerações pela funcionalidade, estética, recursos e também a curta duração dos vídeos. “Há pesquisas que afirmam que o tempo máximo de atenção a estímulos dessa galera é de 8 segundos. Um levantamento do YPulse, consultoria especializada em millennials e a geração Z, mostrou um crescimento imenso de usuários entre 13 e 18 anos nos Estados Unidos: de 12% em 2018 para 33% em 2019”, diz.

O influencer Kaique Brito (@kaiquebritobr), 15, que atualmente possui 53,4 mil seguidores na plataforma diz que seu maior engajamento e a popularização veio pelos vídeos de transição, estética característica do TikTok. “Acredito que as pessoas que me seguem estão esperando esse tipo de conteúdo. No TikTok é um conteúdo mais casual. Eu gravo em 30 min ou menos e já posto, pois é bem mais casual”, explica.

OS DESAFIOS E OPORTUNIDAS DAS MARCAS NA PLATAFORMA

E esse aumento exponencial de usuários no TikTok tem atraído muitas marcas. Em recente entrevista publicada na Forbes, o CEO da agência americana de pesquisa de mercado Amplify, Kieran Mathew, fundamentou que as marcas encontram no TikTok uma grande oportunidade de chamar a atenção dos usuários, já que o público passa mais tempo descobrindo novos conteúdos ao invés de apenas engajar com aqueles perfis que já seguem.

Além disso, Kieran enfatiza que os conteúdos da plataforma são consumidos majoritariamente por som, diferente das outras redes sociais. “A maioria significativa do conteúdo nas plataformas sociais é consumida sem som. Para entender o significado do som, considere assistir a um filme sem ele. É muito mais difícil gerar reações emocionais e engajamento sem as crescentes climáticas da música e das vozes. O mesmo pode ser dito para os anúncios”.

Isso significa que as marcas que traçarem estratégias de conteúdo na plataforma, podem sair na frente e atingir com muito mais impacto os usuários. Porém, por se tratar de algo novo, o obstáculo pode ser justamente qual tipo de conteúdo produzir. Além do planejamento, outro passo importante segundo Andrea é conhecer muito bem o seu público-alvo e levar o conteúdo à sério. “O fato é que não adianta querer estar no TikTok porque todo mundo está. Como em qualquer rede social, as marcas precisam de planejamento sério e profundo conhecimento do público – suas gírias, memes, dilemas e inquietações – para ter sucesso. O humor debochado e as gracinhas adolescentes podem disfarçar, mas a estratégia por lá é coisa de gente grande”, completa.

Segundo Kaique, é importante a marca pegar o feeling da plataforma e não criar qualquer tipo de ação, afinal corre o risco de gerar ruído com os outros vídeos: “Na minha vista de telespectador e criador de conteúdo, é muito estranho quando no meio de tantos vídeos legais aparece algum vídeo de uma marca onde o conteúdo não se encaixa com o conteúdo dos vídeos restantes”, avisa.

“Não adianta querer estar no TikTok porque todo mundo está. Como em qualquer rede social, as marcas precisam de planejamento sério e profundo conhecimento do público.”

Andrea nos diz que uma pesquisa recente da empresa Millward Brown, constatou que 82% dos usuários das gerações Z e Millennium pulam o comercial o mais rápido possível, enquanto 69% afirmam se distrair fisicamente quando não é possível apenas pular o anúncio. Hoje, as publicidades da plataforma TikTok podem ser disfarçadas pelos chamados challenges patrocinados, filtros personalizados e outras várias possibilidades. Algumas marcas como Uniqlo, Guess, Fenty Beauty e Vogue já têm investido em conteúdo com o objetivo de conquistar esse público. “Acredito que pontos importantes para o sucesso de conteúdo patrocinado por lá envolvem sutileza, transparência e, claro, humor. Cada rede social tem suas idiossincrasias, uma dinâmica própria que envolve linguagem, público, signos e símbolos particulares.”, lembra Andrea. Do ponto de vista de Kaique, as marcas que quiserem formar parcerias com influencers na plataforma, devem primeiro analisar qual o tipo de perfil se encaixa mais com o público almejado: “Por exemplo, no meu perfil eu poderia fazer uma parceria com alguma marca de roupas em vídeos de transição que é o que o conteúdo que o meu público espera que eu faça”, diz.

Em 2019, a marca de cosméticos Too Faced viu o batom Lip Injection Extreme, lançado em 2013, esgotar após um desafio de antes e depois espontâneo entre as usuárias. Logo em seguida, a marca planejou uma ação na plataforma para uma linha de cílios. “O sucesso se repetiu e hoje a Too Faced é uma das marcas mais populares do segmento de cosméticos, com 137 mil seguidores e mais de um milhão de likes”, lembra Andrea.

COMUNICAR PROPÓSITOS

Aqui no Brasil a marca curitibana de jóias Maria Dolores, anunciou essa semana a sua entrada na rede social. Segundo a designer, Maria Dolores Gasparim, o formato dinâmico e divertido do aplicativo foi o que chamou atenção da marca e lá eles pretendem criar uma comunicação para conquistar um novo público. “É uma plataforma que te instiga a criar algo diferente em apenas poucos segundos. Se diferencia quem ousa e quem traz conteúdo autêntico. É uma plataforma com alcance enorme e com o público consumidor do futuro. A nova geração está lá há algum tempo e é nesse novo público que as marcas estão de olho para se comunicar. Buscamos sempre o novo e para a marca essa plataforma é desafiadora”, nos conta. A ideia é continuar transmitindo o propósito e conceito da marca, mas com um formato de conteúdo diferente, “de uma forma mais dinâmica, nos permitindo testar novas formas de apresentar nosso DNA, nossos produtos, nosso olhar”, completa.

E em um momento tão singular como o que estamos vivendo, algumas marcas sentem a necessidade de se conectarem com os usuários de forma mais profunda. A revista Vanity Fair Itália, por exemplo, com quase 55 mil seguidores na plataforma, resolveu lançar uma série de vídeos ensinando alguns movimentos de yoga e respiração, para ajudar nas emoções – mesmo que o engajamento não seja tão grande comparado com as publicações mais humorísticas. “A receita do sucesso ainda é um mistério, mas o terreno é fértil e as marcas já se deram conta disso”, diz Andrea.

Conteúdo com propósito: A Vanity Fair Itália, iniciou uma série de vídeos sobre yoga e respiração na plataforma para ajudar os usuários na quarentena. (Reprodução/Vanity Fair)

 

 

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