Sweatshop free, como concretizar um consumo consciente – Album Design Hits


Num mês de abril, há três anos, em um lugar distante, mais de 1.100 pessoas morriam. O dia era 24. Junto às estruturas do prédio chamado Rana Plaza, ruiu também a última cortina de ignorância que insistia em pairar sobre os olhos de nós consumidores.

 

Não que antes da tragédia em Bangladesh fossemos totalmente ignorantes em relação aos trabalhos e condições análogas a de escravos dentro da indústria do vestuário – em especial o fast fashion. Mas sabemos que, às vezes, são necessários grandes acontecimento para causar grandes mudanças.

 

De lá para cá, o mundo vem mudando. O consumidor não pode mais se esconder em seu discurso vazio, pois aquele “made in” de tantas etiquetas significam mais do que uma tradução livre possa lhe informar. Neste movimento, gente que quer e acredita em uma saída mais justa tem se mobilizado e, nessa onda, surge o “Fashion Revolution”.

 

 

Essa semana (16-24 de abril) todo o Brasil está envolvido neste movimento mundial. A campanha é base de conscientização sobre a forma como marcas da indústria da moda se utilizam para produzir o que vestimos. E com a hashtag #whomademyclothes, a principal reivindicação é denunciar e conscientizar sobre as condições de trabalho daqueles que terceirizam a confecção de grandes empresas.

 

Toda essa efervescência nos faz pensar em nosso papel – aparentemente tão pequeno – dentro da corrente. O que em nível local funciona? O que nós aqui, na nossa vida, e dentro dos nossos hábitos de consumo e produção, podemos fazer?

 

Somos parte e vítimas de uma indústria da qual, hoje, temos mais conhecimento e, mesmo assim, não sabemos quase nada. E em busca de algo melhor, Gabi Garcez Duarte, proprietária da multimarcas Album Design Hits resolveu mudar. Se antes a curadoria da loja tinha como foco uma mistura de conceito e tendências, hoje existe um pilar a mais. Adepta do estilo “sweatshop free” (que traz a ideia de trabalhadores justamente recompensados pelo trabalho), a Album faz da escolha das marcas um ato de resistência a uma indústria que tenta fechar seus olhos quase sempre.

 

Gabi só adquire peças das quais sabe a procedência. Sim, ela faz esse trabalho para você. Com foco nas marcas brasileira que atuam com responsabilidade social, ela toma cuidado com o que oferece para seu consumidor, que, muitas vezes, nem tem conhecimento da sua política. “Tem gente que não sabe, mas nós produzimos um fanzine com essas informações e sempre entregamos para que ele conheça esse lado também”, comenta.

 

Fanzine criado pela Album

 

Campanha #menosvitimasnamoda

 

Fora a produção de conteúdo – que tem uma pegada punk bem ao estilo do fanzine – detalhes da loja buscam promover essa conscientização sobre consumo consciente como um todo. “A gente já colocou algumas frases na loja, e queremos colocar mais”, diz Gabi.

 

Mesmo com toda esta política hoje, ela diz que foi um processo. “O momento em que decidi não ter mais peças da China, por exemplo, na minha loja, foi de ruptura, mas a ideia foi algo que fui amadurecendo na cabeça”. E, para ela, saber respeitar esse processo tão íntimo em cada um é muito importante para não tornar os discursos de sustentabilidade um pouco maçantes ou até mesmo excludentes.

 

 

“Por que se eu falar que sou sustentável, vai ter alguém tentando enxergar onde eu não sou. A gente às vezes não pode atuar em todos os processos da cadeia, mas podemos identificar em qual podemos fazer algo diferente”, ressalta.

 

Com cerca de 10 marcas diferentes recheando araras e prateleiras, Gabi faz uma seleção muito especial. A cada temporada procura montar um moodboard para a loja e, a partir daí, vai atrás das peças. “Têm marcas que trabalhamos que têm características de base, que se você for pensar são a base de um guarda-roupa, como uma calça jeans ou uma camisa, alfaiataria”, comenta.

 

Além das roupas das marcas, ela também tem um espaço de brechó, onde coloca itens muito característicos de determinadas épocas, garimpados de diversas viagens que faz para compreender melhor características de lojas como a sua. Seja pelo conceito, inicitiva ou curadoria, a Album é um lugar que vale a visita. Junto ainda, funciona a Vinil Velho, do seu sócio Vinícius, que possui um trabalho de garimpo de discos e comando a trilha sonora – incrível –  da loja. 

 

Para quem quiser aproveitar, a última novidade é que neste feriado (sexta – 18h as 21h ​ – e sábado – 14h as 20h) a Michelle Kelly, do Lolitas Coiffure, liquidará seu acervo de 15 anos de garimpos entre Europa e Brasil – já que ela retornará para a Londres em breve. Peças de R$ 15,00 a R$130,00.

 

A Album fica na Rua Brigadeiro Franco, 1193.

 

 

 

 

 

 

 

 

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