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Sobre um fenômeno que permanece: Yë

24 de novembro de 2016 - 11h50
Por Even More

por Carmela Scarpi

 

Tão simples como juntar dois nomes: Yë.

 

A marca de bolsas curitibana que ganhou o mundo digital pelas passarelas de Ronaldo Fraga é mais que coleções apresentadas durante minutos de dois desfiles. E foi, já antes do primeiro, uma concepção muito genuína do casal Ju Erig e Enzo Yassuda.

 

Mas vamos por partes. Em 2015 eles haviam tirado do papel a ideia de montar efetivamente uma marca que trabalhasse com estilos de produção envolvendo técnicas de reutilização e valorização de materiais: o upcycling (leia nota abaixo). Motivados com as criações e novidades, o destino lhes sorriu ao colocar em um mesmo café, o conceituado estilista mineiro e a possibilidade de um SPFW com apenas 6 meses de marca.

 

Challenge Accepted, diriam. Sucesso.

 

O fenômeno dos jovens que alcançavam headlines das mais importantes publicações de moda do Brasil com as bolsas em coração balançou a cidade em 2015 //.

 

 

2016. Era hora de encarar a empresa. Mas quem tem boa ideia e vontade não para. Reformulação da marca, abertura de site, atelier, contas, financeiro, contabilidade. “Quando a gente participou do desfile em 2015 não tínhamos site, loja”, diz Ju Erig.

 

 

Com a elaboração mais apurada do conceito, eles retiraram do nome o “Upclycling” permanecendo apenas Yë. A técnica, porém, se mantém como objetivo. E numa conversa de manhã, num atelier próprio, eles explicaram: “têm vezes que não conseguimos trabalhar com upcycling, temos encomendas e nesses casos não conseguimos fazer”. A solução foi elaborar um nova etiqueta que hoje informa ao cliente se a peça foi confeccionada com materiais reaproveitados e, se sim, quais (madeira ou couro).

 

Em relação às bolsas, principal produto da marca, eles conseguem manter a ideia. Afinal, o fornecedor de couro revende peças que iriam para descarte já. E as madeiras vêm principalmente de uma indústria de corte, ou seja, são as peças que seria descartadas também.

 

Mas nem só delas se constrói a Yë, com produtos feitos em parceria com outras empresas, eles já desenvolveram aventais em couro para bares e estúdios de tatuagem. Entre uma pergunta e outra, eles me mostram o banco de bicicleta que estão restaurando. “É só entrar em contato com a gente e vemos como podemos fazer os produtos”, comentam.

 

 

Uma campanha

 

Com matérias-primas não padronizadas, cada peça nasce daquilo que o material direciona. “O design parte muitas vezes da madeira mesmo. Outras do couro. Mas surge do material”, confirma Enzo.

 

Justamente por isso, surgiu a primeira campanha fotográfica: SOMOS. “Como não chegamos a desenvolver uma coleção de fato, pegamos as peças que tínhamos criado e a maior característica delas: são únicas. E nós alinhamos com o fato das pessoas serem únicas, cada um tem sua pele, sua cor, suas marcas. Nós queríamos mostrar isso”, explica Ju.

 

E numa seleção feita com voluntários por meio das redes sociais, Ju e Enzo burlaram o tabu que ainda existe sobre a nudez para criarem essas fotos que, em sua delicadeza, comunicam a identidade de uma marca tão sólida e duradoura quantos os principais materiais com que se propõe a trabalhar.

 

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Novidades

Para renovar a parceria com Ronaldo Fraga, Ju e Enzo toparam um prazo de 15 dias na produção de nova coleção de bolsas para o desfile do SPFW 42. A elaboração e execução da ideia de Ronaldo (leia nossa crítica aqui) trouxe ainda mais visibilidade para uma Yë muito mais madura e em ascensão.

 

Já com e-commerce, ativo no site, plataforma e identidade visuais mais profissionais; o casal começa agora a empreender em uma pocket store de Ronaldo Fraga que será inaugurada no Pátio Batel para durar o período de compras de Natal. “Lá venderemos as bolsas de coração do primeiro desfile, as deste último e algumas das nossas criações próprias”, revelam.

 

Mas se você não quiser esperar até o lançamento do espaço físico, você pode encomendar sua Yë pelo site e, quem sabe, fazer uma visita a eles no atelier? Entre em contato, e se permita um novo olhar.

 

Upcycling: Técnica de reaproveitamento de materiais de descarte que no processo de confecção agrega valor superior ao produto original. Diferente do downcycling (ou reciclagem) que se propõe à transformação de material de reuso em produto de menor valor.  

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