Reprojetar o jeans pode mudar a maneira como pensamos a indústria da moda


tradução do texto de Ross Findon (Ellen McArthur Foundation)

Novas diretrizes de economia circular visam o jeans produzido para durar mais tempo, serem refeitos e confeccionados de uma maneira que seja melhor para os trabalhadores do segmento de vestuário e o meio ambiente.

São quase 150 anos desde que os primeiros pares de jeans foram produzidos para atender às demandas dos mineiros durante corrida do ouro na Califórnia. Desde então, a peça evoluiu de vestuário de trabalho da Costa Oeste para se tornar uma das vestimentas mais conhecidas globalmente dentro da indústria da moda.

Leia também: Neonyt – Economia circular e uso acima de propriedade são apostas da holandesa Mud Jeans

Em 2018, o mercado internacional de jeans atingiu U$ 57 bilhões, com quase dois bilhões de pares vendidos em todo o mundo naquele ano. E não é apenas o tamanho do mercado que cresceu. Os novos materiais e métodos de produção, que ajudaram a criar inúmeros estilos e produtos, também aumentaram resíduos e poluição. Mas essa é uma história conhecida na moda.

Agora, um grupo das principais marcas e fabricantes de moda está trabalhando com a fundação Ellen MacArthur para lidar com essas questões. Por meio do Jeans Redesign, um projeto criado pela iniciativa Make Fashion Circular da fundação, eles assinaram um novo conjunto de diretrizes sobre durabilidade, saúde do material, reciclagem e rastreabilidade.

A Make Fashion Circular reuniu mais de 40 especialistas da academia, marcas, varejistas, fabricantes, colecionadores, classificadores e ONGs; para desenvolver as diretrizes, que são baseadas nos princípios da economia circular – projetar o lixo, manter os materiais em uso e regenerar os sistemas naturais. Eles desenvolvem também outros esforços para melhorar a produção de jeans, incluindo o guia de open source criado a semelhança da iniciativa conjunta entre C&A e Fashion For Good para desenvolver o jeans C2C Gold Certified ™; e vem sendo projetados para ajudar a garantir que o jeans dure mais tempo, possa ser facilmente reciclado e feitos de uma maneira que é melhor para o ambiente e a saúde dos trabalhadores de vestuário.

Laura Balmond, que lidera o projeto de jeans da Make Fashion Circular, disse: “A iniciativa tem três ambições principais – garantir que todas as entradas no sistema sejam seguras, que as roupas sejam mantidas em uso pelo maior tempo possível e que no final de seu uso, as roupas usadas possam ser transformadas em novas. Por causa da complexidade que pode surgir, queríamos dividi-lo e ver como seria para uma determinada peça de roupa. O jeans é um produto icônico, que está nos guarda-roupas de pessoas de todo o mundo. E pudemos ver que houve um grande progresso na indústria ao lidar com questões como o uso de produtos químicos e água. O jeans parecia um excelente ponto de partida para animar a indústria. ”

reprodução – Campanha Banana Republic

AS DIRETRIZES DO JEANS REDESIGN

O respeito pela saúde, segurança e direitos das pessoas envolvidas em todas as partes da indústria da moda são um pré-requisitos, juntamente com a melhoria das condições de trabalho na fabricação global.

Além disso, as Diretrizes fornecem condições mínimas nas seguintes áreas:

Durabilidade

O jeans deve aguentar um mínimo de 30 lavagens domésticas, enquanto ainda atende aos requisitos mínimos de qualidade das marcas.

A peça deve incluir etiquetas com informações claras sobre os cuidados com o produto.

Saúde do Material

O jeans deve ser produzido usando fibras de celulose a partir de métodos agrícolas regenerativos, orgânicos ou transicionais.

O material deve ser livre de produtos químicos perigosos e galvanoplastia convencional. Estonagem, permanganato de potássio (PP) e jato de areia são proibidos.

Reciclabilidade

As calças devem ser feitas com um mínimo de 98% de fibras de celulose (medidas em peso).

Os aviamentos de metal devem ser projetados ou reduzidos a um mínimo.

Qualquer material adicional ao jeans deve ser facilmente desmontável.

Rastreabilidade

As informações que confirmam que cada elemento das diretrizes foi cumprido devem ser disponibilizadas facilmente.

Organizações que atendam aos requisitos receberão permissão para usar o logo do Jeans Redesign em peças feitas de acordo com as diretrizes.

O uso do logo Jeans Redesign será reavaliado anualmente, com base na conformidade com os requisitos do relatório.

Até o momento, a lista de participantes inclui alguns dos nomes mais consagrados do setor, como Lee e Gap, bem como marcas mais novas que estão ganhando atenção por inovações no mercado, como a Mud Jeans e Reformation. Também a bordo estão grandes fabricantes como Arvind Limited, Hirdaramani, Kipas e Saitex.

Crucialmente, as diretrizes não têm apenas o apoio das pessoas que projetam e fabricam jeans, mas também de muitos colecionadores e recicladores de roupas que lidam com as peças quando os clientes terminam de usá-los.

Martin Böschen, CEO da TEXAID, colecionadora e recicladora de têxteis, disse: “Hoje, a grande maioria das peças de vestuário que não podem ser reutilizadas são reduzidas a utilizações de baixo valor, como trapos, enchimento de colchões e isolamento. Projetar novas peças para durabilidade e reciclagem, conforme estabelecido nas diretrizes, marca uma mudança fundamental na indústria”.

Segundo Böschen, os jeans projetados dessa maneira permanecerão em uma qualidade superior quando descartados, tornando-os particularmente atraentes não só para a revenda local, mas também para reciclagem e upcycling – quando não puderem mais ser usados.

“A colaboração é essencial. Como colecionador e classificador, não podemos criar a economia circular apenas para a moda. Estamos chamando fabricantes, marcas e varejistas para seguir as diretrizes do Jeans Redesign para nos ajudar a garantir que as roupas que eles produzem e vendem nunca se tornem resíduos”, acrescentou Böschen.

É um modelo que pode se estender bem além do denim

A equipe da Make Fashion Circular disse que planeja tirar as lições do Projeto Redesign e ver como ele poderia ser aplicado a outras partes da indústria da moda.

O líder da Make Fashion Circular, Francois Souchet, disse: “Este é apenas o começo. Com o tempo, continuaremos a impulsionar uma indústria de moda próspera, baseada nos princípios de uma economia circular. ”

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