A Ponte e Fóra, projetos entre profissionais e marcas independentes promovem a colaboração na moda


Fruto da necessidade de novas soluções para o mercado, criativos e marcas independentes se unem para ir além da divulgação de projetos e criar maior colaboração na moda. 

Na sexta uma live surgia pelo instagram, até aí nada novo num mar de conteúdos que circulam pela nossa curadoria de follows. Essa, contudo, era sobre um lançamento, a dA Ponte (@a_pontebr). Projeto criado por criativos independentes da área da moda do eixo rio-sp, a plataforma, hoje uma conta na rede social, une divulgação de portfólios criativos e trocas sobre como marcas independentes vêm encarando o momento. Para além, o espaço ainda une quem tem algo a oferecer com quem busca alguma outra coisa, numa analogia literal ao nome escolhido.

Pela live entre Camila Yahn, jornalista de moda do FFW, e André Carvalhal, especialista em posicionamento de marcas; pontos como o futuro do projeto foram já antecipados. “Queremos fazer como se fosse um grande ‘classificados’ voltados para moda. Então se você precisa de uma costureira, de um webdesigner, de um diretor de arte, fotógrafo, etc, lá é o lugar para você achar e fazer contato direto, sem intermediário. Da mesma maneira, também pode oferecer seus serviços”, confirmou Camila posteriormente em entrevista. Mesmo sem data prevista para a migração de plataforma, eles veem a dinâmica se consolidar num site de navegação intuitiva tanto para pesquisa como para a inserção de projetos.

reprodução (@a_pontebr)

FAZER COLETIVO

Na ideia, que surgiu do compartilhamento num grupo de whats app estão junto à Camila e André, Augusto Mariotti, Babu Bicudo, Daniel Ueda, Renata Correa e Thiago Ferraz. Deste networking, e expandindo as redes de relacionamento de cada um, reside a vontade de reverberar tanto as dores em busca de soluções coletivas, quanto as trocas de oportunidades. “Acho que as angústias não serão solucionadas de uma maneira geral pela plataforma. O que as pessoas precisam agora é de emprego, capital de giro, movimento. Estão todos trabalhando sem nada disso e ainda sem uma previsão de até quando isso vai durar. Tem sido muito bacana receber depoimentos das pessoas de vários lugares do Brasil e de profissões diferentes e todo mundo oferece ajuda. É incrível, uma rede de solidariedade”, releva.

Pelo presente momento a curadoria entre marcas e também profissionais que sustentam a cadeia de moda, tem sido feita a partir da rede próxima de contatos do grupo. “Estamos, neste primeiro momento, trabalhando com marcas que já conhecemos bem o trabalho e temos um acesso mais rápido e direto para aciona-las na produção deste conteúdo. São marcas desde muito pequenas e novas às empresas médias, todas independentes. Estamos pensando ainda como podemos ser mais inclusivos no sentido de começar a abrir o feed para marcas que não conhecemos, mas por enquanto já temos bastante material para publicar. De qualquer forma, acho que o principal ponto da Ponte é o potencial de fazer conexões entre quem precisa e quem tem. Muito do nosso esforço será focado nisso”, explica Camila.

E se pelo feed encontramos um conteúdo de marcas e criativos, pelos stories funciona uma plataforma também muito prática de “oferta-procura”. Com uma arte pré-estabelecida, pessoas do meio podem criar seus anúncios de troca, marcando a página. De venda/doação de tecidos ou serviços de audiovisual, à busca por mão de obra e produtos, a corrente orgânica alimenta a dinâmica de conexão. “Por enquanto, elas podem pegar a nossa arte de procuro/ofereço que está nos destaques do stories, preencher e postar tagueando a Ponte. A gente reposta e coloca fixo no destaque”, descreve Camila sobre a dinâmica.

HIPERCOLABORAÇÃO

Transbordando a troca entre profissionais, também o projeto Fóra (@projetofora_) emerge numa perspectiva de futuro em que mais vale a troca à concorrência. Criado a partir da experiência entre os criativos das marcas independentes Neriage, Misci e Esc; a plataforma que também se dissemina pelo instagram, promove além da colaboração mútua um espaço de desenvolvimento de conhecimentos paralelos de mercado, com entrevistas, ajudas profissionais e conteúdos gratuitos.

reprodução (@projetofora_)

“A ideia é ser uma hipercolaboração entre marcas, ou seja, a gente vai criar um banco de dados onde essas marcas terão acesso a uma divisão de experiências. Banco de currículos, fornecedores. Paralelamente, nas nossas redes sociais, a gente tem uma geração de conteúdo com especialistas convidados para conversarem e contarem um pouco sobre visão deles, sobre como o mundo está, como ele vai ficar, a partir dessas mudanças que a gente está vendo na economia, tanto na visão da moda quanto numa visão geral”, conta Rafaella Caniello, diretora-criativa da Neriage.

Fugindo apenas da divulgação de produtos e projetos, ambas as novas plataformas solucionam o recorte sobre moda e a cadeia criativa fomentada por ela, numa rede de relacionamentos, divulgação de processos e conexão de necessidades mais emergências. Se nos estudos de comportamento as previsões já apontavam o compartilhamento como futuro perene, na dificuldade surgem iniciativas práticas sobre como uma ação individual pode alavancar uma estrutura coletiva, obviamente mais lenta devido ao cenário econômico, mas mais forte para se sustentar numa mudança de visão sobre consumo e o papel de fato da moda num novo universo.

 

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