Paulo Leminski, a poesia com bigodes


Ao que parece, 2013 foi mesmo o ano do mítico e polêmico Paulo Leminski. Ainda era final de 2012 quando a Cia das Letras anunciou que reeditaria sua obra poética em um único volume, chamado Toda Poesia. O livro chegou às prateleiras em fevereiro e, pouco depois, já figurava em primeiro lugar na lista dos mais vendidos. Mais alguns meses se passaram e foi a vez de Vida  – também editado pela Cia das Letras, em setembro –, volume único que reúne as biografias de Jesus, Trótski, Cruz e Souza e Bashô.

 

Quando tudo o que poderia se falar de Leminski parecia ter se esgotado, Domingos Pellegrini reascendeu os holofotes sobre o ‘samurai malandro’. Não autorizado a publicar o livro Passeando por Paulo Leminski pelas herdeiras – a viúva Alice Ruiz e as filhas Áurea e Estrela Leminski –, em outubro, o londrinense disponibilizou na internet, para divulgação e reprodução gratuitas, textos inéditos em que relata as memórias da convivência nos 17 anos de amizade com o poeta curitibano.

 

 

Leminski foi uma figura bastante peculiar, de vida excêntrica e ideias invejáveis. De tudo o que se meteu a fazer – foi tradutor, compositor, publicitário, professor e até judoca – a poesia foi, certamente, sua marca idiossincrática. Inconformado como era, não se limitou a poética convencional; sequer se rendeu às amarras do concretismo (ou mesmo do vanguardismo). Preferiu sintetizar, de forma inexplicável, o velho e o novo, o pop e o cult, o oriente e o ocidente. Contradições que dominaram não só sua literatura como também sua biografia – e que ficam evidentes ao se ler Toda Poesia.

 

 

 

 

A obra reúne mais de 600 poemas, um conjunto de toda poesia já publicada – além de alguns inéditos. Por opção editorial, cada livro anterior tornou-se um capítulo da compilação – do estreante quarenta clics em curitiba (1976) ao aclamado caprichos & relaxos (1983); de distraídos venceremos (1987), passando por la vie en close (1991) e o ex-estranho (1996), até o póstumo winterverno (2001). Assim, a leitura nos conduz a uma viagem inebriante. E, ao passear por cada uma destas épocas, é possível constatar a genialidade do poeta curitibano, que unia às palavras no papel música, imagem e tudo mais que fosse possível.

 

 

 

 

Em resumo, Leminski faz, nas páginas de Toda Poesia, malabarismos com as palavras (e também com nosso cérebro), colocando-as em ciranda, brincando não apenas com a sonoridade, mas com o significado e a forma de cada vocábulo. Com isso – e muito mais –, ele nos surpreende, subverte e desafia. Sua escrita incomum e as inovações constantes nos fazem perguntar, às vezes, se não estamos dividindo com ele um trago de sua vodca preferida. Mas, ao que parece, é pura poesia!

 

 

 

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