OFICINA DA GASP E OS SAPATOS DE FALTAR O AR | DAQUI


por Carmela Scarpi

 

Do cheiro impregnado de cola na madeira, o ambiente atual da oficina de sapatos remete à nostalgia de lembranças que você nem tem. Mas o deleite com as ideias inovadoras da Gasp, contraditoriamente, apontam para o futuro. Surgiu como uma aventura, e a marca foi se moldando às necessidades práticas e conceituais com que amigos topavam pelo caminho.

 

A cada batida de martelo, intercalva uma pergunta. E sob a fricção das lixas descobrimos que a Gasp é um homenagem ao pai de Renan Almeida – um dos sócios – o Gaspar. Foram eles, pai e filho, que incentivaram Bruna Andrade e Luan Carfran no conhecimento do ofício de sapateiro. Com os pares de moldes remanescentes de uma fábrica dos idos de 1980, a Oficina da Gasp surgiu também com outro significado. “É uma onomatopeia nas histórias em quadrinhos que sugere a falta de ar”, diz Bruna, e depois interpreta segurando a respiração. Por isso o escafandro, por isso o astronauta, sempre presentes na comunicação, desde o início.

 

Das experimentações surgiram os conceitos da marca que nascia. “A primeira das ideias era ser sem gênero. E não só por ser legal ser sem gênero, mas por uma necessidade prática”, conta Bruna. Com apenas uma grade de forma, e variando em numeração, os sapatos começaram a ser feitos e vendidos para girar a produção. Mas foi por iniciativa de amigos que surgiu o segundo conceito, que define a marca: utilização de materiais-resíduos na produção.

 

 

 

fotos @lyzysu para @evenmorecwb

 

PRODUZIR SEM REPRODUZIR

 

Hoje, a Oficina da Gasp confecciona, dentro de vários modelos elaborados por eles, sapatos que utilizam materiais de descarte. “Temos três sacos de retalhos de couro para banco de carro. É um material nobre, não dava para fazer cinto, mas nos sapatos conseguimos utilizar”, exemplifica Luan. Por isso também é possível que o cliente traga ou escolha os tecidos usados, dentro, claro, dos modelos desenvolvidos pela equipe da Gasp.

 

Com os materiais que ganham, eles conseguem desenvolver números irregulares de pares e, por isso, preferem não separar em coleções a produção contínua da marca. “Às vezes a gente recebe material e dá pra fazer 5 pares, às vezes dá pra fazer 10 pares. A gente chama de séries, e aí quase todo mês tem novidade”, comenta Bruna.

 

Sem coleções, o método empregado pela Gasp também dispensa tendências. A produção foca numa necessidade mais real do consumidor quando adquire uma peça. ” O processo criativo é diferente. A gente não trabalha com pesquisa de tendência e define 'agora eu vou fazer esses calçados com essas cores'. Não, é o contrário. Você tem esses materiais, agora se vira, faz com que isso vire algo legal”, explicam.

 

 

fotos @oficinadagasp – reprodução

 

Desafiador, o esforço criativo compensa não só pelo resultado final, mas pela concretização de um discurso válido para um mundo como o de hoje. “Você não está produzindo mais nada, né? Você está fazendo algo com a aquilo que já tem. Então, a gente não está colocando mais coisa no mercado, pra uma demanda que na verdade nem existe.”

 

GOSTOU? TEM MAIS:

 

Hoje a Oficina da Gasp produz e atende na Casa 102, junto de outras marcas DAQUI que formam o Coletivo FAG (em breve mais novidades). Para passar e conhecer o trabalho deles, ou dar uma olhada nos produtos, fica de olho nas informações abaixo:

 

Onde?

Casa 102  Rua Julia da Costa, 102 – São Francisco

Quando?

De Segunda a Sexta-Feira, das 10:00h às 19:00h

Média de Preço:

R$ 165,00 à R$ 320,00

Site:

www.oficinadagasp.com

 

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