O minimalismo tocante de Shaun Tan


Hoje, vamos burlar as regras do jogo – mas é por um bom motivo. Explico! Minha intenção, aqui no Even More, foi, desde o início, traçar uma linha de intersecção entre Curitiba e a literatura. Contudo, nesta semana, escolhi falar sobre um livro ‘aleatório’, sem esta conexão. É que, em 2014, me dei ao direto de participar de uma das incontáveis brincadeiras que surgem nas redes sociais todo começo de ano. O tal desafio consistia em publicar no Facebook um pequeno texto informando que os cincos primeiros que comentassem a postagem – com a frase “eu quero”! – receberiam, em algum momento do ano, um livro de presente. Vários amigos aderiram e, há poucos dias, recebi meu primeiro exemplar: Contos de Lugares Distantes (Cosacnaify, 2012), escrito e ilustrado por Shaun Tan e traduzido por Érico Assis.

 

O australiano Shaun Tan é reconhecido mundialmente como um dos mais importantes autores da literatura infanto-juvenil da contemporaneidade – um de seus livros (The Lost Thing), inclusive, já foi adaptado para o cinema e ganhou o Oscar de melhor curta-metragem de animação, em 2011 (confira abaixo). Suas histórias são bastante singulares e repletas de magia e estranhamento. Retratam, quase sempre, as pequenas coisas, os detalhes inimaginados e, principalmente, o que não é óbvio. Para alcançar este resultado, ele alia textos curtos a belas ilustrações, produzidas com as mais variadas técnicas (da pintura a óleo à tinta acrílica, passando pelo guache, grafite, canetas hidrocor, colagem, entre outras).

 

 

Em Contos de Lugares Distantes, Tan nos brinda com 15 pequenos textos, que misturam o real e o imaginário, inspirados em sua infância no interior da Austrália. O livro surgiu a partir de rabiscos de um caderno de desenhos, que se transformaram em histórias, ao mesmo tempo, sensíveis e dramáticas; cotidianas e surreais (ou, até mesmo, absurdas); extraordinárias e (incrivelmente) familiares.

 

 

Assim, ao longo das rápidas 100 páginas, contemplamos atentos o causo do búfalo do rio e sua pata pontuda e certeira, do inusitado a apaixonante intercambista Eric e do dia da fuga das tartarugas. Somo ensinados até a fazer, a partir de uma caixa de papelão, nosso próprio animal de estimação. Em pouco tempo, estamos concordando que toda casa tem seu míssil balístico intercontinental no jardim; que, antigamente, os casamentos eram bem mais complicados e menos melosos que hoje (pois a noiva e o noivo eram enviados para bem longe antes da cerimônia, submetidos a uma complexa e desgastante gincana); e que, em algum lugar, gravetos andam livremente pelas ruas – e enquanto as crianças mais novas tentam se divertir com eles, as mais velhas adoram destruí-los.

 

 

Em meio à beleza do inesperado, tornamo-nos, rapidamente, crianças novamente e mergulhamos de cabeça nesse mundo encantador. Para o tradutor Érico Assis, o que Tan cria em Contos de Lugares Distantes “é imaginação, é fantasia, é metáfora, mas… não é só isso”!

 

Para quem interessar aqui está o trailer do curta-metragem produzido a partir do livro The Lost Thing, de Shaun Tan:

 

 

Contos de Lugares Distantes   

Autor: Shaun Tan   
Tradutor: Érico Assis   
Editora: Cosacnaify   
Lançamento: 2012  
Páginas: 104  
Preço Estimado: R$ 45  

 

 

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