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NovoLouvre lança peças com resíduo da indústria automobilística

12 de Abril de 2018 - 15h22
Por Even More

por Carmela Scarpi

É mês de Fashion Revolution e, em tempos de falarmos sobre iniciativas de moda que contribuem para soluções na indústria e no mundo, a curitibana NovoLouvre é marca que vem à cabeça. Dos inúmeros projetos, o mais recente é das peças em upcycling apresentadas durante o ID Fashion, ao final de 2017, que integram parte da coleção de inverno18 e devem chegar em breve ao site da marca (aqui).

[assista] ID Fashion: fashion film

reprodução

Resíduos da indústria automobilística, da Renault, serviram de matéria-prima para a criação de 5 peças – três bolsas e dois looks. Segundo a diretora criativa, Mariah Salomão, ao saber das ideias inicias para o desfile, a FIEP, organizadora do evento, acabou fazendo a conexão entre as empresas. “Nas reuniões preliminares [do ID Fashion] comentei que nossa coleção seria feita de diversas parcerias e que (por coincidência) usaríamos cintos de segurança. Eles tinham a solicitação de encontrar um estilista para fazer a parceria e nos escolheram por isso”, conta.

Desafios no processo

Já com história na produção em upcycling (realizada em outro desfile com sobras de tecido do próprio atelier – confira a entrevista em vídeo aqui), desta vez Mariah destaca a dificuldade de trabalhar com o novo material. “Era tipo uma espuma, além disso, ele vinha em pedaços separados e não em metros como os tecidos. Então, tivemos que ‘criar’ um tecido com aqueles pedaços”, lembra.

Outra grande preocupação era a estética. “Não podia parecer um patchwork, tinha que parecer como qualquer outro produto NovoLouvre”, revela. Com este cenário em frente, somado à falta de experiência na confecção de bolsas, a produção se tornou um verdadeiro trabalho conjunto entre o NovoLouvre e as costureiras da Associação Borda Viva, responsáveis pela confecção das peças. “Cheguei com os desenhos, aviamentos e fomos montando juntas”, lembra.

 

Tem quem faz, mas quem compra?

Da reutilização de resíduos, ao estímulo à valorização da mão-de-obra; a parceria que resultou em parte da coleção, mostrou não apenas a viabilidade de uma produção sustentável e ética em outro viés, como uma nova oportunidade para a empresária. Contudo, a dificuldade, segundo Mariah, ainda reside na comercialização.

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“Toda a logística para a produção já consegui resolver, não foi complicado, o problema é vender no mercado interno. Levei os produtos para uma rodada de negócios internacional onde a aceitação foi muito grande”, conta. Com o feedback positivo, Mariah reformulou a negociação com a Associação, explorando outra estratégia que, segundo ela, será lançada em breve, porém voltada ao mercado externo.

Sempre à frente, nesta semana, o NovoLouvre está no Rio de Janeiro junto com a afilhada Rocio Canvas para a VesteRio (confira a última edição aqui), feira de negócios de moda promovida pela Vogue. Ambas as marcas, desta vez, integram o stand da MALHA.

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