Novas revistas emergem em formato digital para suprir necessidades do mercado


Recentes acontecimentos vêm mostrando que os leitores cobram por uma real mudança e posicionamento de figuras com influência nas mídias digitais. Mas isso não acontece apenas com pessoas físicas, uma vez que revistas e meios de comunicação tradicionais também são cobrados por mudanças.  

A necessidade não atendida dos leitores em terem uma real conexão com as revistas tradicionais, abriu caminhos (facilitados pela tecnologia) para que leitores se tornassem novos veículos com abordagens mais livres e micro segmentadas conforme interesse de novas comunidades digitais. 

Separamos quatro título que exploram novos formatos e discursos com uma linguagem e uma imagem comunicacional única.

Elástica (elasticaoficial.com.br)

Mesmo sendo parte de um grupo editoria maior, a Editora Abril, a Elástica (@elastica.oficial) foi criada para ser uma revista digital de comportamento que trata sobre assuntos corriqueiros como moda, gastronomia, games, arte e tecnologia, mas também assuntos que normalmente não são tratados pela mídia tradicional. Segundo o redator chefe da revista, Artur Tavares, a Elástica veio para suprir o déficit de representatividade na mídia.

“Falamos sem medo de questões tratadas como espinhosas pela mídia tradicional, como a transsexualidade, a legalização da maconha, relacionamentos LGBTQI+, a violência contra mulheres de baixa renda, e assim vamos continuar ao longo dos próximos meses. Isso porque hoje uma grande parcela da sociedade não se sente representada pelo jornalismo “de massa”, os grandes veículos em geral”, explica Artur ao Even More.

Sem tabus. Os assuntos tratados pela Revista Elástica normalmente são ignorados pela mídia tradicional. (Reprodução/Revista Elástica)

O projeto da Elástica começou a ser desenvolvido em novembro de 2019, mas só estreou em fevereiro deste ano, em um momento que questões raciais, sociais e políticas vinham sendo discutidas mais do que nunca, o que potencializava o propósito do projeto. “Calhamos de estrear agora em meio a essa pandemia e esse caos todo instaurado no país, o que só acaba validando nossas ideias”, completa.

“Ainda mais agora, em que estamos vendo essas lutas antifascismo e antirracismo, é muito gratificante estar no ar com reportagens que falam sobre chefs de cozinha internacionais que estão resgatando sabores africanos; poder fazer um ensaio com uma drag queen reimaginando divindades ao mesmo tempo em que setores do cristianismo tentam empurrar ideias obscuras sobre religião para a população; e também colocar um respeitado cineasta e publicitário para falar abertamente sobre o universo das saunas gays”, completa.

A curadoria das reportagens também é feita de forma colaborativa entre os integrantes da equipe, que atualmente conta com dois editores, uma designer e uma diretora de arte. De acordo com Artur, as pautas na maioria das vezes transmitem recortes pessoais de vida de cada um deles para a revista. A Elástica também traz parcerias, como o projeto social de São Paulo É Nois – Escola de Jornalismo da Periferia e o data_labe, laboratório carioca de produção de conteúdo localizado no Complexo da Maré. “E isso é só o começo, mas mostra que temos esse compromisso com trazer histórias vindas de uma ótica diferente”.

Revista Urdume (urdume.com.br)

Foi o interesse por artes manuais têxteis que levou Estefania Lima a lançar a primeira edição digital da revista Urdume (@revistaurdume) em 2018, “[…] logo que comecei a pesquisar sobre o tema passei a entender da importância do têxtil em vários momentos e marcos civilizatórios da humanidade”, conta Estefania ao Even More. A revista trata também de assuntos de expressão e autoconsciência.

Além do conteúdo digital, a Urdume produz versões físicas por encomenda. As edições trazem reportagens, textos, artigos sobre moda e artesanato, mas também matérias de psicologia, história, filosofia ou matemática. 

A Revista Urdume pode ser encontrada na versão digital e mas também em versão física. (Reprodução/ Revista Urdume)

“Nosso desejo é estimular conexões entre as artes manuais têxteis e outros saberes, contribuindo para a circulação de ideias que valorizem o têxtil, reconhecendo sua importância histórica e social, e promovendo o fazer manual como um caminho para a autoconsciência”, comenta Estefania.

Yut Mag (yutmag.com)

Com uma nova abordagem digital e voltada para o público jovem, a Yut Mag (@yutmag) foca em criar conteúdos de moda e fotografia, mas se dizem abertos para sugestões de novos assuntos: “A YUT é uma plataforma aberta para expressões criativas da juventude”, diz um porta voz da revista em entrevista ao Even More.

A Yut Mag já coleciona seis edições, sendo quatro ao ano, e todas são disponibilizadas gratuitamente no site oficial. Algumas edições, inclusive, já levaram na capa personalidades como Caio Braz e Pepita. Podemos destacar aqui o formato de leitura hiperdigital que as edições da Yut Mag possuem. Ao invés de disponibilizarem uma plataforma estática de leitura (como a maioria das revistas digitais ainda fazem), o título explora mídias visuais e interativas que permeiam textos, edições gráficas, fotos e vídeos tornando a leitura muito mais dinâmica.

A elaboração do conteúdo da revista é produzida de forma colaborativa e o convite é feito pelas mídias sociais. “[…] 2 meses antes de cada edição a gente abre um chamado pelo instagram convidando artistas que já tenham materiais produzidos ou que queiram produzir algo com a gente”, completa o porta-voz. Após esse processo, a revista convida designers para a criação visual de cada conteúdo.

Ensaio fotográfico produzido para a quarta edição da Yut Mag com Caio Braz. (Reprodução/YutMag)

A ideia para criar a plataforma surgiu pela falta de representatividade nos veículos de moda no Brasil, o que gerou a vontade desses artistas em terem um espaço para compartilhar suas vivências e criarem imagens que faziam sentido. “Algumas revistas até tentam falar sobre nossas pautas mas não sentíamos que era de uma forma que nos representa”, conta ao EM.

The Shore Mag (theshoremag.co)

A The Shore Mag (@theshoremag) se intitula em seu site oficial como, “Uma comunidade criada para inspirar, e ser inspirada. Queremos que todos os criadores tenham voz”. A revista digital foi criada em 2019 e já conta com entrevistas de artistas disponíveis na plataforma. 

Voltada ao público jovem, a Shore Mag tem como objetivo criar conteúdo juntamente com designers, fotógrafos, marcas, atletas e músicos, dando o espaço de fala para esses artistas. A ideia dessa plataforma é realmente não ter fronteiras. Nós temos o foco em criação. Seja ela fotografia, vídeo, design gráfico, arquitetura, música, moda” disse Daniel Zuliani ao Even. 

A revista também é vinculada a uma rádio chamada “Almanaq Radio” que possui episódios mensais e playlists, oferecendo ao público um conteúdo audiovisual.

Atualmente o projeto envolve seis pessoas vindas de cidades distintas como Miami, Barcelona, Madrid, Balneário Camboriú, Península do Maraú e Curitiba. Um dos diferenciais, é o conteúdo produzido tanto em inglês, quanto em português. Daniel contou ao Even que com isso a revista conseguirá alcançar ainda mais pessoas: Faltam plataformas como o The Shore no Brasil, e nós acreditamos que é interessante tornar esse conteúdo que vem do mundo todo mais acessível para nosso público brasileiro”, completa.

O conteúdo da The Shore Mag é produzido também em inglês, com o intuito de alcançar ainda mais pessoas. (Reprodução/The Shore Mag).

A curadoria dos conteúdos da revista é feita em conjunto, sempre tentando trazer o máximo de informações possíveis sobre o assunto ou o convidado entrevistado. “Todos da equipe compartilham coisas que gostam (páginas, fotógrafos, artistas) e a partir disso selecionamos um conteúdo que se alinha com o que acreditamos e que também nos inspira”, explica Daniel. Os planos futuros da The Shore Mag incluem edições em formato físico, além da realização de eventos com marcas parceiras. 

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