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Em crescimento, os trabalhos manuais ganham espaço no universo fashion

05 de dezembro de 2018 - 16h54
Por Even More

Na recente instalação, a artesã Nat Petry foi uma das convidadas a construir o projeto em crochê na frente da Galeria Melissa em São Paulo

Carmela Scarpi

Há quase um mês a entrada da Galeria Melissa em São Paulo inaugurou a nova instalação. Um projeto inspirado no crochê levou artistas do Brasil todo a encararem o desafio de confeccionar retalhos com fios de resíduos do sapato lançamento, feito em parceria com os irmãos Campana.

Os pontos que formam a trama recebem os clientes e visitantes da marca e, dentre os convidados para a confecção da obra (26 ao todo) está a artista de Curitiba, Nat Petry – que há três anos tem os trabalhos manuais como centro da vida e do trabalho.

Com grande alcance nas redes sociais, Nat veio da decoração para dar um toque no universo fashion. “Quando a gente vê o trabalho manual junto a uma marca tão atual como a Melissa, leva o crochê para outro lugar. Não é mais algo para se ver apenas em feirinhas de artesanato, mas sim para ver em qualquer lugar, numa instalação artística, na Galeria da Melissa como foi o caso”, conta.

reprodução/Melissa

reprodução/Melissa

O retorno às técnicas

Hoje, o convite inesperado da Melissa é reflexo do alcance que Nat conseguiu nas redes sociais; mas no início do atelier, não havia grandes pretensões. “Comecei com a vontade de fazer algo que eu gostava e eu sempre fiz esses trabalhos manuais. Meus amigos me incentivaram a criar uma marca e eu comecei pelo Facebook. Foi dessa forma que meu trabalho foi sendo divulgado”, lembra.

Das trocas surgiu a ideia de oferecer conhecimento e então Nat criou seu caminho pelos cursos de técnicas manuais no meio digital. “E é muito legal ver que as pessoas estão na internet, mas estão tentando resgatar o tempo delas off-line. Por que você pode fazer o curso online e ao mesmo tempo praticar o trabalho manual, é uma mistura do digital e analógico”, compara.

Além de contrabalancear esse anseio pela vida fora da internet, Nat ressalta a importância que esse retorno representa dentro da história da mulher. Isso por que, há algumas gerações, aprender crochê era uma obrigação, uma conotação muitas vezes da falta de abertura no mercado de trabalho para mulheres. Hoje, esse resgate vem pela perda durante o lapso em que as mulheres foram conquistando seu espaço. “O trabalho manual hoje voltou como uma expressão de liberdade”, define.

 

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A moda feita à mão

De iniciativas recentes que corroboram esse retorno que vivemos, como mais uma tendência que atinge a moda, tem destaque a participação da gaúcha Helen Rodel, ao lado da curitibana Reptilia, na Semana de Moda da África do Sul. Representando o Brasil, Helen leva seus pontos em crochê ao nível de uma confecção internacional com forte influência na moda, unindo técnica e desejo. Isso sem contar que a designer também integrou o time de artistas na instalação da Melissa.

Mas não é preciso ir muito longe, em Curitiba o armarinho Micapullo, criado pela jovem empresária Leticia Segalla, simboliza, por aqui, a demanda pelo manual. A loja, voltada o artesanato contemporâneo, aliado ao design e ao compartilhamento de ideias, completa 3 anos neste final de semana com uma programação para quem quer imergir neste mundo (veja abaixo).

reprodução/Micapullo

A curadoria traz itens importados, ergonômicos, alguns autorais e de origem natural. “Numa época tão virtualmente conectada, dar uma pausa fazendo uma atividade manual é necessário quase meditativo. Sem contar que é gratificante produzir algo com as próprias mãos. As pessoas ficam felizes e orgulhosas”, observa Leticia.

E o crescimento é real, no Reino Unido uma pesquisa recente aponta o aumento de 12% das mulheres que fazem algum tipo de trabalho manual como hobby nos últimos dois anos, enquanto 17% dos homens, entre os 16 e os 24 anos, disseram que gostam de experimentar um destes passatempos.

“Sempre vai ter alguém resgatando esse conhecimento, tem espaço para ser moderno ou clássico, independente da época, ele sempre vai ter um espaço muito importante e significativo”, finaliza Nat.

 

Programação, Aniversário Micapullo:

14h10 Sessão de autógrafos com Molla Mills

14h10 Bate-Papo Entre NósDesenrolando o Artesanato (desmistificando o artesanato, superação e autoconhecimento através dele)

com Kamilla Domingues (Projeto/Marca Com Agulha com Afeto), Andressa Lopes (Marca Amora Amorinha) e Estefania Lima (Projeto Fios e Ritos)

15h crochê colaborativo – Yarn Bombing, crochê nas árvores, conduzido por Isis Kranz (marca Papillon Feito à Mão) e Andressa Lopes (Amora Amorinha)

15h bordado colaborativo – Yarn Bombing, Maxi Bordado, conduzido por Luan Valloto

16h Desfile com peças de tricô #Micamakers (alunos da loja), conduzido pela professora Iris Alessi (marca Flor de Iris)

16h30 Música ao vivo, trio de samba no jardim com Jay Ferreira.

18h Início dos sorteios

19h encerramento

Em paralelo:

Flash tattoo com Monteiro

Exposição de bordados #Micamakers (alunos da loja), com curadoria da professora Kamilla Domingues.

 

Micapullo

Rua Marechal Deodoro, 1.864, Alto da XV

Entrada Gratuita

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