A moda para além do paradigma de vendas durante a pandemia


A moda se encara diante do espelho. Não só ela, evidentemente, mas ela também. A produção num ritmo que há 7 anos viemos já contestando por aqui, hoje se esvazia em sentido e urgência para muitos que a viam como coerente ainda em 2020. 

Ao revistar propósitos, ou ao menos entender seu papel neste momento em que os produtos caem em escala de necessidade (como se algum dia tenha sido), algumas marcas tomaram iniciativas interessantes para se posicionarem para além de seus produtos neste momento.

Elencamos algumas delas para inspirar e divulgar ações que podem nos fazer rever nossos papéis. Evidente que é preciso avaliar as proporções de alcance de cada uma, e ver que em sua maioria são operações de larga escala que utiliza da sua força de produção para entregar algo além, a lista é uma referência.

No Future Brand 

Em uma das iniciativas mais interessantes a que tivemos acesso, a marca de streetwear pediu para que clientes privilegiassem o consumo em comércios locais com estruturas independentes à consumidor produtos de vestuários (o que eles vendem ao menos). Cientes da possibilidade de se manterem por um período autossuficientes sem o fluxo de novos produtos, eles tiraram o site de ar e mantiveram a mensagens de apoio ao local.

@nofuturebrand

www.nofuture.com

Grupo Boticário 

Por meio do Instituto Grupo Boticário, a empresa doou 1.7 toneladas de álcool em gel para a Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba. O produtos é proveniente da matéria-prima da marca e desenvolvida pelos laboratórios e equipe qualificada. 

@oboticario

All Birds

A marca neozelandesa de sapatos feitos a partir de matérias-primas responsáveis e com processos de redução de impacto, estava doando pares para profissionais da área de saúde nos Estados Unidos, onde hoje fica a produção. Eles receberam diversas mensagens e como a doação seria até o egotamento das estoques, já publicaram que pensarão em outras formas de cooperar com o momento. 

@allbirds

https://www.allbirds.com/

ArezzoCo

Inspirados na ação da Allbirds, algumas marccas do grupo ArezzoCo lançaram a mesma ação para profissionais da saúde no Brasil. 

Christian Siriano

O designer que assina sua marca de luxo homônima publicou em suas redes sociais um comunicado direcionado ao governador de Nova York colocando sua equipe à disposição para a confecção de máscaras que vem se esgotando rapidamente. Pedindo auxílio sobre o procedimento correto, Christian ainda enfatizou que a equipe de costura de sua marca trabalharia de casa. 

@csiriano

Los Angeles Apparel

Dov Charney, ex-CEO da American Apparel, colocou as facilidades de produção da sua  marca em Los Angeles à disposição de órgãos governamentais que precisem de serviços de costura para confeccionar produtos médicos necessários. Também no comunicado ele informa que as medidas de contenção do vírus estão sendo tomadas dentro do centro de produção com cerca de 450 funcionários. A ideia é produzir em uma semana cerca de 300 mil máscaras e 50 mil trajes de proteção. 

@dovcharney_losangeles

LVMH, L’Oreal e Coty

O conglomerado de marca de luxo LVMH transformou suas fábricas de perfumes da França para fabricação de álcool gel a partir da matéria-prima disponível para doar ao Governo. Os grupos de produtos de beleza L’Oréal e Coty seguiram o exemplo e estão fazendo o mesmo. 

PAI Skincare (UK)

A empresa britânica de skincare está usando suas fábricas para produzir desinfetante para as mãos a partir desta semana, planejando doá-lo para escolas e empresas locais.A marca já havia anunciado que 70% da empresa estava fazendo home office e os funcionários de laboratório que precisassem comparecer ao trabalho teriam a disposição um serviço de taxi para quem não dispusesse de transporte próprio.

@paiskincare

Erdos / Cabbean (China) 

Na China, fabricantes de roupas, incluindo Erdos e Cabbeen, se ofereceram voluntariamente para converter sua produção de roupas em máscaras e roupas de proteção, impulsionadas por pedidos do governo, mas também pelo dever de honrar suas próprias políticas de responsabilidade corporativa.

Prada / Armani / Versace

Doaram quantia de dinheiro para ajudar a combater o COVID-9

Kering

O grupo de marcas de luxo divulgou um camapnha massiva para atender diversas frente de combate ao vírus desde a produção de 3 milhões de máscara para doação na França, doações em dinheiro para institutos de pesquisa no país, assim como fez na China no início do ano e na Itália com a doação para os principais hospitais em 4 cidades mais afetadas. 

C&A

A fast fashion no Brasil lançou uma camapanha intitulada “C&A em Casa” em que convidará diversas pessoas para assumirem as redes da marca na promoção de conteúdos que entretenham. O casting foi aberto e, obviamente, os participantes serão remunerados pela marca. A ideia é utilizar o alcance da plataforma para oferecer visibilidade e trabalho para criadores de conteúdo, além de conteúdo em si para os seguidores. 

@cea_brasil

RENNER

Por meio do Instituto Renner a marca fará doações a hospitais referência no tratamento de comunidades em situação de vulnerabilidade. 

@lojasrenner

RIACHUELO

Depois do fiasco da denúncia sobre a postura da marca em relação a funcionários doentes no escritório, iniciada pelo jornalista Eduardo Viveiros no Twitter (você lê uma matéria decorrente da denúncia aqui), eles anunciaram a produção de máscaras e aventais hospitalares e posteriormente o fechamento de fábricas e lojas pelo Brasil. 

@riachuelo

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