Melissa quis ser gente como a gente…


foto divulgação @melissa

 

Há uma semana, exatamente, a Escola de Escrita recebeu lá pelo coração da cidade o evento da Melissa. Dentre muita gente que se perguntava o que era e até quando iria, a festa, que durou aquela noite somente, trouxe em uma tacada – até um pouco sem folego – três projetos idealizados e produzidos por 8 curitibanas.

 

O fio condutor entre as realizadoras era, na realidade, a realização mesmo. Produção contínua de projetos culturais anteriores ao da Melissa e, segundo elas mesmas: “forte presença na cena cultural da cidade”.

 

Pegando uma onda no movimento que ganhou força nacional com a revolução “AdoroFARM”, a Melissa agora quer ser gente como a gente. Porém, ao invés de traçar um estilo regionalizado e vendê-lo para o restante do público, eles “estão buscando” (assim, num gerundismo mesmo) captar a essência de algumas cidades para conectarem-se em suas peculiaridades com o público local de forma bem específica.

 

Por isso, no evento da última quarta, as Makers (como foram intituladas as meninas responsáveis pelo projeto) apresentaram seus trabalhos com foco na cidade e com a inserção sutil da Melissa no contexto curitibano. A instalação artística sobre o Marumbi, o vídeo-manifesto (assista neste link) sobre moda e o zine com fotografias e conteúdos sobre a cidade ficaram à disposição de um público convidado num dia de agito ao estilo das festas comuns à cidade – inclusive com o mesmo público frequente.

 

Instalação “Foi aos pés do Marumbi e voltou” – Maya Weishof, Adriana Basso e Eduarda Guimarães – foto divulgação @melissa

 

Mesmo assim, muita gente que por lá estava não compreendeu direito a proposta e por isso fomos conversar com a Raquel Metz Scherer, da Gestão do Departamento de Marca e Comunicação da Melissa, para esclarecer algumas perguntas que ouvimos bastante. Olha só:

 

  • As outras cidades que participaram do projeto Makers Melissa foram Rio e Salvador. Como chegaram a Curitiba? Como se deu a escolha da capital paranaense?

O projeto começou no Rio de Janeiro, e, no mês passado, lançamos a plataforma em Salvador. A escolha por Curitiba se deve ao fato de a cidade ser uma grande exportadora de talentos na arte, na moda e no design – pilares essenciais do trabalho da Melissa. Ficamos impressionados com tudo que a cidade já produziu. Seu histórico acumula nomes icônicos, como Jaime Lerner, Leminski e Rimon Guimarães. Além disso, tem uma cena cultural riquíssima e meninas cheias de ideias e projetos incríveis. A Melissa gosta muito de trabalhar com plataformas que enriquecem e legitimam a cultura local e fazem com que a marca esteja cada vez mais próxima de suas fãs em nível global. E Curitiba é o cenário ideal para isso.

 

 

  • Como surgiu a ideia do projeto Makers dentro da Melissa? E ele terá expansão para outras capitais?

A ideia surgiu do desejo de criar uma plataforma local com impacto global, para aproximar a Melissa de suas fãs por meio de projetos com peculiaridades próprias, que criem conexões através da cultura. Ainda não podemos falar, mas, em breve, teremos mais uma cidade com o projeto. Enquanto isso, continuaremos com o projeto com as meninas do Rio, Salvador e Curitiba, mantendo vivo esse movimento criativo.

 

 

  • Existe previsão para um projeto conjunto entre as Makers de diferentes cidades?

Por enquanto, não. Justamente porque cada cidade tem sua particularidade, suas características, seu clima, seu estilo. A ideia é explorar o melhor de cada uma e trazer isso pro universo da Melissa.

 

 

  • Como foi a seleção das meninas, quais critérios vocês usaram?

A seleção foi a partir da visão de meninas da própria cidade. Chegamos a Curitiba para uma pesquisa, com indicações de algumas meninas que já conhecíamos e outras que pré-selecionamos.  Então, elas foram nos indicando outros nomes e nos contando quais eram as pessoas que mais movimentavam a cena cultural da cidade. A partir desses cruzamentos, montamos um grupo de oito makers, que transformam o cenário criativo de Curitiba.

 

…mas quem somos nós?

 

“Comissura” – Zine produzido por Carolina Zibetti e Thaíssa Esteves – foto divulgação @melissa

 

Querendo ser breve e mantendo o olhar crítico/sincero sobre tudo – como é do nosso perfil – não poderíamos deixar de mencionar a festa em si. Apesar da proposta de mostrar a Curitiba da gentE, a reunião da última quarta nos deixou a impressão de estarmos dentro de um determinado grupo frequente da cidade.

 

Talvez e, justamente, por ser uma festa fechada, os convidados acabaram se limitando a conhecidos de conhecidos e a proposta talvez não tenha chegado ao ponto de encontrar correspondência com a cidade de um forma mais ampla e cosmopolita como quis se mostrar.

 

Mesmo a produção dos projetos foram cercados de pessoas de um mesmo “nicho curitibano”, digamos assim. E, se a proposta era amarrar as diferentes pessoas daqui, conectar os pontos do nosso “ser” tão específico, faltaram alguns pedaços relevantes.

 

Afinal, antes de transformar, criticar, avaliar nosso comportamento curitibano, é preciso aceitar que somo feitos de grupos. Grupos estes distintos e separados, muitas vezes. Seja pela nossa formação de tantos e tão variados perfis étnicos, seja pelo nosso comportamento de certa forma bairrista a despeito da nossa autointitulação cosmopolita.

 

Será que este projeto não seria então uma oportunidade de apontar essas características para então demonstrar uma real conexão de pontos? Mostrar as várias curitibas, ao invés de restringir os envolvidos e “demonstrados” a um grupo que, apesar de miscigenado em sua gênese, é, de fato, apenas um dos grupos da cidade? Tenha sido intencional ou não, foi algo de que sentimos falta e, até certo ponto, conflitou com a proposta que esperávamos do projeto.

 

Contudo, apesar dos questionamentos que levantamos, e aqui está o principal parágrafo para os mais inflamados, este “porém” não retira a qualidade do conteúdo apresentado. Muito bem produzidos e amarrados, os projetos das Makers Curitiba, na minha visão, apenas falharam (se é que podemos usar esta palavra) no recorte – mas isto é uma questão de perspectiva. E, com a promessa de continuidade que lemos na entrevista acima, acredito que haverá ainda outras possibilidades e outras visões que justifiquem a primeira escolha.

 

No mais, fica os parabéns pela produção. Às envolvidas em dedicarem tanto tempo em olhar para dentro e buscar transparecer essa visão e à Melissa por, mais uma vez, apostar na cultura como forma de transformação da moda. Aguardamos ansiosos os próximos passos 😉

 

PS: quer saber como se deu a realização dos projetos? Confira no vídeo que fizemos com algumas das meninas antes do evento! (aqui)

 

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