Matilda, um hostel de Curitiba


Não é o primeiro, e não será o último. Mas o Hostel Matilda é diferente. Seja pelo café da manhã com que fui recebida – com direito a bolo direto do forno; seja pelo fato de estar em uma casa que é também patrimônio histórico da cidade. Registrada na data de 1903, o charme e história trouxeram alguns percalços para a vida da proprietária Rafaella Mózena.

 

Depois de um ano e nove dias de expectativa pela liberação de um alvará de construção pela Prefeitura, o desafio era conseguir manter as paredes determinadas pelo IPPUC. “Tinham paredes que estavam caindo e tivemos que erguer com estrutura de ferro”, conta Rafaella. Apesar da reforma e ampliação, a fluidez original foi mantida, com corredores (alguns a mais foram abertos), sala principal e escadarias.

 

 

Além da parte estrutural, outros itens bem decorativos matem esse clima de história e pertencimento. Algumas paredes dos quartos frontais foram mantidas com a pintura original, dando um ar mais do que interessante para o ambiente. Portas originais e tijolos da escadaria também estão à mostra para dialogar com o novo.

 

 

 

A compra de uma casa que fosse patrimônio histórico não foi intencional. Na realidade, ela tinha em mente outro imóvel – nas mesmas condições, que ficava ao lado do bar “OTorto” no São Francisco. O fato de não ter conseguido aquela casa quase a fez desistir do projeto. E foi seu pai – também investidor – quem encontrou a atual instalação do Matilda, na não menos charmosa Treze de Maio.

 

 

Mas por que um hostel em Curitiba?

 

Talvez seja a pergunta que muito se farão. O fato é que Rafaella sofre da síndrome pós-intercâmbio, que muitos daqueles que passam parte de sua vida fora, acabam carregando. Depois de dois anos e meio em Barcelona, voltar a Curitiba exigiu muito mais esforço do que ela imaginava.

 

“Como Barcelona é uma cidade de passagem sempre tem alguma coisa nova para conhecer, gente nova, comida nova. Voltar para Curitiba é ver tudo igual ao que era. Os mesmo amigos, as mesmas músicas, as mesmas comidas.”, comenta. Para sair deste marasmo, ela decidiu colocar no papel o que gostaria de fazer, ou não.

 

“Daí que eu vi que gosto muito de gastronomia, de conhecer gente, sou muito sociável. Eu tenho sede de novas culturas. Como colocar tudo isso num lugar só? Decidi abrir um hostel.” E assim nasceu o Matilda.

 

 

 

Apesar do sonho já concretizado, ela sabe que ver Curitiba como um ponto turístico é arriscado. Fora do roteiro básico de viagens ao Brasil, Rafaella acredita que eventos como a Copa ajudaram muito na propaganda da capital paranaense. “O transporte público ainda é muito comentado, a limpeza da cidade, tudo isso conta muito”, diz. Isso sem contar que muitos dos festivais de rua da cidade são um atrativo a parte, como o de teatro e alguns de música também.

 

Mas, o Matilda não é apenas para hóspedes. No intuito de trazer a verdadeira alma de um hostel, muitos shows acústicos, jantares e reuniões serão planejados para entreter não apenas os de fora, como os habitantes da cidade que queiram um lugar para se divertir e conhecer pessoas novas. “Quero fazer um calendário de eventos conforme eles forem aparecendo, mas tudo para unir todo mundo, meus amigos, os hóspedes. Sempre receber bem e passar uma boa impressão”, termina Rafaella.

 

 

Com planos de unir demais hostels da cidade neste roteiro de interação, só o que podemos fazer é esperar as novidades pelas páginas online do Matilda e comparecer nos próximos eventos, afinal o intercâmbio de pessoas é o que vale por aqui. Pelas paredes podemos encontrar algumas obras de Gustavo Francesconi, da Apoc, que já foi matéria por aqui, lembra?   

 

 

Serviço

 

Em busca do máximo conforto, os quartos do hostel são mais espaçosos, com camas de solteiro em tamanho maior que o convencional, inclusive. As opções são por quartos quádruplos, duplos e suítes, sendo uma individual. Existe a possibilidade banheiro compartilho ou não. Os valores vão de R$ 55,00 à R$ 130,00.

 

 

 

 

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