Marcas de maquiagem natural oferecem redução de impacto em toda a cadeia


É mais simples, ou talvez não, criar uma marca mais alinhada com o meio ambiente hoje. Evidente que as exigências de um consumidor atento são maiores, mas os caminhos pelos quais seguir ficam mais claros conforme o nicho.

De acordo com os organizadores da feira NaturalTech, o mercado de cosméticos orgânicos e naturais brasileiro teria um crescimento de 20% ao ano e já movimentou algo como 3 bilhões de reais em 2018.  Preocupadas com uma indústria de beleza mais limpa, as neomarcas de beleza já surgem com novos mindsets de sustentabilidade aplicada e, nada mais natural, que esse pensamento se desenvolva no entorno dos produtos em toda a cultura da empresa.

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Muito embora nosso maior exemplo de inovação em sustentabilidade e design seja de uma empresa tradicional, a Natura (reconhecida internacionalmente pela modelo de negócios, inclusive no índice Dow Jones de Sustentabilidade); o segmento de orgânicos e naturais se esforça para criar logísticas que reduzam impacto da produção ao resíduo pós-consumo. De acordo com o LCA Centre, um grupo holandês que estuda o impacto ambiental das embalagens, cerca de 70% das emissões de carbono passíveis de serem atribuídas ao setor de higiene e cosmético, poderiam ser eliminadas se as pessoas simplesmente usassem recipientes com refil.

Baims:

A marca tem um programa de refil para produtos em pó, em especial sombras. Descoladas de uma estrutura principal, é possível recolocar o produto sem descartar toda a embalagem. Além disso, os suportes são prioritariamente em bambu, um material renovável e que no processamento consome uma baixa quantidade de energia. Outras embalagens secundárias são feitas de papel com o certificado FSC (Forestry Stewardship Council) de controle para a extração de matéria-prima. Mais um detalhe interessante é que na linha de pincéis Vegan, o alumínio utilizado na finalização é reciclado.

Os suportes são prioritariamente em bambu, um material renovável e que no processamento consome uma baixa quantidade de energia /foto reprodução Baims

BioArt:

A marca pioneira de Santa Catarina também oferece maquiagens eco e tratamentos biocosméticos com embalagens recicláveis e/ou reutilizáveis. É preciso a atenção do consumidor na hora de separar os produtos para descarte. Além disso, a Bioart também adere a produtos com possibilidade de refis de eco make-ups e de tratamentos bionutritivos; para evitar a possível geração de resíduos.

A marca possui embalagens recicláveis e/ou reutilizáveis. É preciso a atenção do consumidor na hora de separar os produtos para descarte. /foto reprodução Bioart

Cativa Natureza:

Há 10 anos a marca nascida em Curitiba pratica a reciclagem de suas embalagens, coletadas em lojas físicas – há cada 4 embalagens o cliente ganha 10% de desconto em uma próxima compra. Em 2019, a marca desenvolveu o projeto Re-Use Cativa Natureza em parceria com a Maife Design, empresa de design de produto e 3D também de Curitiba. Juntas, elas criaram uma saboneteira, que é o resultado da reciclagem das embalagens recolhidas nas lojas, e de cerca de 50 sacolas plásticas retiradas do lixo para compor cada unidade.

Em 2019, a marca desenvolveu em parceria com a Maife Design, uma saboneteira, que é o resultado da reciclagem das embalagens recolhidas nas lojas, e de cerca de 50 sacolas plásticas/ foto reprodução Cativa Natureza

Simple Organic:

Com foco em embalagens que sejam reutilizáveis, a marca catarinense desenvolve produtos que tenham alto valor para reciclagem ou que, futuramente, possam ser abastecidas nas lojas. Cada unidade tem um vínculo com determinada cooperativa e as embalagens buscam manter um bom retorno financeiro para os cooperados. Junto das operações eles mantém o selo EuRecilo que garante 100% da reciclagem do volume gerado na venda. Os clientes podem ir até as lojas da marca para realizar o descarte correto das embalagens e, em troca, ganham um voucher de desconto.

O selo EuRecilo garante 100% da reciclagem do volume gerado nas vendas/ foto reprodução Simple Organic
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