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Livros mundo afora: Peru e Bolívia

18 de junho de 2014 - 10h01
Por Even More

Infelizmente, os latino-americanos não são grandes leitores – segundo dados de 2012 do Centro Regional para Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc), 59% da população não tem o hábito de ler. Contribui com esse cenário a má distribuição das livrarias: o mesmo Cerlalc contabiliza 14 mil delas na América Latina – contudo, muitas são, na verdade, papelarias, quando não supermercados, que vendem um ou outro livro, mas acabam entrando na conta.

 

Sendo assim, não é de se espantar que, em alguns países, ao se deixar a capital, não seja possível encontrar uma livraria de fato – pelo menos não nos moldes que nós, moradores de uma capital estadual brasileira, estamos acostumados. E foi isso que encontrei no Peru. Ao chegar em Lima, capital, no último mês, fiquei surpresa (e entusiasmada) com a grande quantidade de livrarias de rua – sobretudo em Miraflores, um dos principais bairros da cidade. Lá se encontram desde grandes bookstores, como a SBS Livraria, a pequenas e independentes livrarias (algumas delas, inclusive, especializadas em segmentos de quadrinhos, artes ou arquitetura). Nas prateleiras, a mais variada literatura nacional e internacional, com destaque para o Nobel de Literatura 2010, Mario Vargas Llosa.

 

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Porém, fora da capital, as livrarias pareceram muito raras. Em cidades como Cusco e Arequipa – exceto pelas medianas filiais da SBS –, o que mais se observam são bancas e papelarias, que, em meio a jornais e revistas, material escolar e outros produtos, eventualmente vendem livros didáticos, álbuns infantis, guias turísticos e séries de romance populares. Um ambiente bem distinto, característicos de um país em que 71% da população costumam ler revistas e jornais, mas apenas 35% leem livros (segundo dados do Cerlalc).

 

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Ao chegar na Bolívia logo depois, o cenário me pareceu ainda mais incomum e curioso (infelizmente, não existem índices dos hábitos de leitura dos bolivianos). No país das feiras ilimitadas – quase sempre chamadas de ‘mercado’ –, os livros são encontrados no mesmo ambiente que frutas, verduras, eletrônicos, roupas e tudo mais o que possa imaginar. Na capital, La Paz, o principal centro de vendas de livros fica no Mercado Lanza: um setor inteiro com mais de 20 bancas repletas de livros novos, usados, didáticos, técnicos, históricos, de literatura nacional e internacional.

 

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Nas regiões do Altiplano e dos Vales, as feiras de ruas também são bastante comuns; e vendem, lado a lado, livros como Ilíada (de Homero), Cem anos de Solidão (de Gabriel García Márquez) e A Culpa é das Estrelas (de John Green), entre outros. Já as livrarias – como as conhecemos por aqui – se concentram em cidades como Cochabamba e Santa Cruz, que estão entre as mais populosas e urbanizadas do país.

 

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