Como a ZALANDO se tornou referência como e-commerce sustentável na Europa


Produced for Zalando SE AW19 Season Start campaign. Usage allowed until 14.01.2020, Europe, all media.

O primeiro Conexões EM teve a participação de Livia Rotenberg, designer de produto focado em sustentabilidade na Zalando, diretamente de Berlim, falando sobre o processo de criação de um e-commerce sustentável.

“A empresa tenta ter uma resposta rápida no mercado, que está mudando. Mesmo tendo iniciado em 2017 algumas tentativas para conseguir taggear produtos que sejam sustentáveis, foi no ano passado que as estratégias se iniciaram de forma agressiva”, contou Livia Rotenberg. A designer se refere à empresa Zalando, fundada em 2008 com base em Berlim, na Alemanha. Hoje, a plataforma online é o maior e-commerce exclusivo de moda da Europa e atende 17 mercados europeus. 

Confira abaixo um compilado da conversa que o Even More teve com Livia.

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Os pilares de sustentabilidade da Zalando

A Zalando possui 3 pilares e ações em prol da sustentabilidade dentro e fora da empresa. Segundo Lívia, em maio de 2019 a Zalando criou um espaço interno voltado para ações e produtos sustentáveis, que possuí um contato direto com o consumidor. Nas entregas e retornos, com a estratégia do.MORE, a empresa se compromete em ser neutra nas emissões de carbono e pretende até 2023 eliminar 100% o uso de plásticos nas embalagens. “O maior feedback que a empresa tem do consumidor não é em relação aos produtos, mas sim quanto ao envio deles e do tanto de embalagem e lixo que isso gera”, completou.

“Já na parte ética, a empresa que também tem marca própria, quer melhorar a cadeia de produção e educar 10 mil pessoas, ajudando a melhorarem suas habilidades”, nos contou Lívia. Recentemente, a Zalando também anunciou o interesse em economia circular e pretende estender a vida útil de até 50 milhões de peças de roupas com o lançamento, no segundo semestre de 2020, de um espaço em sua plataforma para a venda de peças de segunda mão. “A Zalando já tinha um emerging business chamado Wardrobe que era um app exclusivo de revenda, onde você podia vender roupas para outras pessoas e para a própria Zalando. Eles colocaram no ar e testaram, e agora vão colocar esse modelo de negócio na plataforma do site”. 

No marketplace da Zalando os nomes variam de Adidas, até marcas mais sustentáveis em todos os seus processos, bem como marcas próprias; mas que para criar uma organização, a empresa possui certificação para diferenciá-las. “Existem alguns critérios próprios, então se o produto da marca se encaixar em alguns deles, ele recebe a sinalização no site por ser mais sustentável. […] Por exemplo, um dos critérios é ter mais de 20% dos produtos reciclados. A ideia é que isso seja revisado todo ano”, explica.

O desafio de comunicar sustentabilidade

“Não existe mais a escolha de ignorar esse assunto [sustentabilidade]. Cada vez mais se a marca não tiver uma proposta maior do que produzir e vender, ela não tem valor como marca. E eu acredito que isso é uma pressão dos consumidores que só vai aumentar”. Livia complementa que é importante que as marcas saibam quem são os seus consumidores, para a partir disso criar propostas sustentáveis.

“Cada vez mais se a marca não tiver uma proposta maior do que produzir e vender, ela não tem valor como marca.”

Na Zalando, os maiores desafios começam já na palavra sustentabilidade, que possui significados diferentes dependendo da língua ou país. “A Zalando está presente nos países nórdicos que são super avançados em todas as propostas de sustentabilidade, mas também na Espanha onde, por exemplo, temos a menor aderência ao offset do carbono. Então existe esse desafio de falar com consumidores que estão em momentos totalmente diferentes”, completou.

O OFFSET DE CARBONO

Atualmente a Zalando oferece ao consumidor a opção de neutralizar a emissão de carbono na entrega do produto. De acordo com o site Postal & Parcel, as estratégias do.MORE pretendem seguir os objetivos do Acordo Climático de Paris e, em 2019, a Zalando transformou o uso de energias para fontes renováveis em 90% de seus locais de operação, e as caixas de embalagem já são 100% recicláveis. 

Lívia conta que, por mais que o offset não resolva totalmente o problema de impacto das entregas, já é um passo inicial e que a empresa hoje pesquisa novas formas de envio e embalagens: “Hoje, a Zalando faz pesquisas em diversas áreas. Novos tipos de embalagens reutilizáveis ou uma embalagem chamada single box que é uma caixa maior que você pode dividir com outra pessoa”, revela. “Como também novos tipos de entregas que não sejam tão rápidas, ou a retirada em certos lugares com o objetivo de diminuir a rota do caminhão”. 

Em 2019, a Zalando transformou suas embalagens em 100% recicláveis, seguindo os objetivos do Acordo Climático de Paris. (Reprodução/Zalando)

Em 2017, o relatório Pulse of Fashion Industry lançado pela Global Agenda, constatou que o transporte na Indústria na Moda contribui com 2% na mudança climática. O grupo Inditex, por exemplo, possui 10 centros de logística na Espanha, local onde grande parte da produção dos produtos das marcas é feita. Com isso a distribuição das peças tem distância menor, reduzindo o consumo de energia e as emissões.

Para qualquer tomada de decisão, a Zalando prioriza a opinião dos consumidores, afinal são eles quem moldam o mercado. “Existem muitas pesquisas qualitativas com consumidores e possíveis consumidores para saber o que eles percebem e o que mais traz valor para eles. São longos processos que muitas vezes não aparecem, mas estão acontecendo”, explica.

 

imagem de capa: reprodução Zalando/ campanha Free to Be.

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