Linguagem descomplicada é estratégia de empresas de gestão para se aproximarem do público criativo


Habilidade na gestão empresarial pode ser um empecilho em setores criativos como a moda. Mas, com o crescimento do marketing de conteúdo e linguagens nativas de redes sociais, plataformas de serviços financeiros e jurídicos vêm ganhando adeptos pela linguagem facilitada e acesso ao público na internet. 

É o caso do instagram Pinc (@pinc_). O escritório especializado em propriedade intelectual cria na internet uma dinâmica com apelo visual para que assuntos tidos como mais formais encontrem um caminho para se destacar entre conteúdos da rede. “A nossa intenção sempre foi ser diferente no mercado e eu acho que é isso que nos aproxima dos nossos clientes. Nós falamos a mesma língua que eles, temos uma identidade visual colorida e eu tenho certeza que isso faz toda a diferença”, conta Paula, uma das fundadoras.

Além de direitos autorais, a Pinc também auxilia empresas em trâmites legais como registro de marca, conflitos de direitos autorais nas redes sociais, negociação de @ no Instagram e domínios. Segundo Paula, a  ideia era criar uma empresa que preenche um espaço no mercado sobre a forma de abordar o assunto. “As pessoas não precisam ter medo de advogado e tem que entender o que eles falam. Estamos no mercado faz 1 ano e meio e já temos muitas histórias para contar, muitos clientes incríveis e marcas legais que trabalhamos”.

Divertido, porém sério

A identidade visual foi criada propositalmente para chamar a atenção das mulheres, não à toa hoje 89% do público da empresa é do gênero feminino. O conteúdo criativo gerado evidenciam o empoderamento feminino e muitas vezes falam diretamente com as mulheres. “Sempre foi nossa intenção chamar atenção de mulheres. Inclusive, uma das nossas bandeiras é o feminismo e sempre incentivamos o empreendedorismo feminino”, completa Paula. 

A junção da identidade visual e a criação de conteúdo, aproximou a marca do público target: as mulheres. (Reprodução/Pinc)

“Acho que a pinc pode e já está mudando o mercado gerando uma aproximação do direito com os nossos clientes e trazendo informação de qualidade e de fácil entendimento sobre os temas que envolvem Propriedade Intelectual”.

Para saber cuidar do próprio dinheiro

Uma pesquisa de mercado feita em 2018 pelo SEBRAE, apontou que 1 a cada 4 empresas fecham as portas antes mesmo de completar dois anos de existência. Entre os variados motivos, um quarto dos empresários alegaram dificuldades na gestão. 

Na busca de uma solução para esse problema Marina Santos e Mariana Appel Prestes, hoje ex-sócia, fundaram juntas a Her Big (@herbigbr) em São Paulo. “Observamos que a maioria dos empresários tinham as mesmas dores: a dificuldade de saber quanto iriam receber no mês seguinte, a complexidade que tinham para se planejar a longo prazo, além do problema de não saberem se seus preços cobriam todos os seus custos e despesas”, conta Marina.

A Her Big oferece serviços de consultoria para empresas, que abrange desde questões mercadológicas à planejamento financeiro, e também oferece serviços de finanças pessoais para quem necessita de educação financeira ou queira saber como começar a investir. “Com nossas experiências e formação na área financeira, resolvemos criar uma empresa na qual, sem rodeios e complicações, pudéssemos sentar ao lado desses pequenos (Grandes!) empreendedores, para juntos encontrarmos as melhores soluções para administrar seus sonhos”, completa.

Falando em dinheiro

A criação de conteúdo para educação financeira teve uma demanda crescente nos últimos tempos. Em 2017 a plataforma Facebook Audience Insights revelou que o Brasil possuía entre 10 à 15 milhões de pessoas que se interessavam e engajavam de alguma forma por conteúdo sobre economia mensalmente. Três anos depois esse número subiu para 30 e 35 milhões. 

O reflexo vemos no crescimento de produção no setor, como o canal brasileiro do youtube Me Poupe apresentado por Natália Arcuri que se auto intitula “o primeiro canal de entretenimento financeiro do Brasil”. Em vídeo e, hoje, em diversas outras plataformas, a intenção é dar dicas de finanças pessoais, a conta do Youtube acumula 5 milhões de inscritos. Ou mesmo o surgimento da conta Nath Finanças, destinada à produção de conteúdo financeiro para baixa renda e que, no Twitter, se aproxima dos 400 mil seguidores.  

“Hoje em dia temos muitos Educadores Financeiros trazendo, pelo menos para Finanças Pessoais, uma linguagem mais descomplicada, o que é muito bom pois precisamos que Finanças deixem de ser um tabu e passem a ser um tema que esteja nas nossas conversas com amigas, por exemplo”, comenta Marina.

Educando gestores

No entanto, as sócias da Her Big encontraram um buraco na criação de conteúdo quando o assunto era finanças para empresas com a mesma linguagem. Se há demanda e espaço no mercado, por que não? “Para finanças Empresariais vemos que ainda falta informação, e essa é uma barreira que também já tínhamos sinalizada desde o começo, porque não somos educados a cuidar das nossas finanças pessoais, quem dirá das finanças empresariais”, completa.

Assim como a Pinc, a Her Big utiliza uma comunicação fácil e identidade visual descontraída. Isso ajuda a atrair leigos, facilita a compreensão sobre o assunto e também traz mais clientes para a empresa. A conta também oferece materiais gratuitos para download e conteúdos de blog. “Utilizamos a mesma linguagem e com isso atraímos também clientes maravilhosos, principalmente mulheres. Nos sentimos mais seguras e abertas para poder falar nossas dúvidas quando estamos com outras mulheres”, revela.

 

A Her Big ajuda foca na criação de conteúdo de finanças para empresários em sua página do Instagram. (Reprodução/Her Big)

Marina acrescenta que atualmente a maior parte das clientes da Her Big são mulheres, mas que isso ocorreu organicamente. “Por sermos mulheres trabalhando na Herbig, nós trouxemos muitas discussões da intersecção de assuntos mulheres e dinheiro”. Aos poucos, a criação de conteúdo se tornou um importante pilar da empresa e atualmente também uma forma de inspirar outros empreendedores a criarem seu próprio conteúdo. 

Hoje vejo que inspiramos não só Empreendedoras/Empresas que passaram por nós como também algumas profissionais da área financeira. Observamos e participamos dessa onda de hoje de Finanças estarem mais nas buscas de pesquisas, e canais acessados, mas levamos isso com muita responsabilidade e competência, e é só o começo!”, completa.

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