Instituto Alinha usa tecnologia blockchain na moda para transparência verificada


Nesta matéria aqui, onde falamos sobre compliance e o rastreio da cadeia produtiva na moda, citamos o Instituto Alinha, negócio social que formaliza e conecta oficinas de costura com marcas preocupadas com a produção ética no Brasil. Para chegar à ponta da cadeia e impactar o consumidor também, a empresa aderiu em 2017 à tecnologia de blockchain, desenvolvido em parceria com o Instituto C&A, para entregar no produto final uma forma de rastreio confiável ao público.

Chamada de TAG Alinha, a rastreabilidade do processo é feito por um mapeamento da cadeia produtiva através do compartilhamento de informações descentralizada. A tecnologia responsável por esse formato é o blockchain. “Por enquanto, a única tecnologia que de fato trabalha o tema de transparência, que temos conhecimento, é o blockchain. Há outras tecnologias como inteligência artificial que podem ser implementadas na moda, mas com outros intuitos”, conta Dari Santos, fundadora do Instituto Alinha.

Pelo site, eles descrevem a construção desse diálogo de transparência em seis passos. A começar pelo cadastramento de marcas e confecções que queiram atuar desta maneira. É preciso aderir a um dos planos de gestão, o formato de 6 meses à R$70/ mês e de um ano por R$50/mês.

A partir daí a marca cadastra no sistema Alinha informações sobre as peças e informa a oficina que receberá o pedido (dentro das alinhadas pelo instituto), eles receberão uma notificação contendo condições de contratação para serem aprovadas. Com a validação, e por meio do blockchain, um código é gerado para rastreamento do produto. Esse mesmo código pode ser baixado pela marca para inserção na etiqueta – que será acessada pelo consumidor. Com a peça em mãos, o cliente adiciona o número do código no site do Instituto Alinha e conhece a história da peça.

Fora do Brasil, em 2017, também em uma parceria entre Provenance, A Transparent Company e a London College of Fashion, criou um jumper (desenvolvido pela designer Martine Jarlgaard) com rastreio via blockchain. Através de um QR Code na etiqueta era possível chegar até às alpacas tosadas para a confecção do material, e conhecê-las pelo nome. Naquele ano, o projeto, junto com outros 9, foi escolhido para fazer parte do Fashion For Good, em Amsterdam – a plataforma de inovação na moda é liderada pelo Plug and Play e pela Fundação C&A, com a visão de apoiar e desenvolver soluções inovadoras para a indústria, para catalisar o impacto positivo na indústria.

Provenance, A Transparent Company e a London College of Fashion desenvolveram em 2017 um projeto de rastreio via blockchain em que era possível conhecer a cadeia de um jumper da marca Martine Jarlgaard (reproduçõ/site Provenance)

O blockchain e a adesão do mercado

A tecnologia já explorada em outras indústrias é segura pois é um tipo de base de dados distribuída, que guarda um registro de transações permanente e à prova de violação. A base de dados blockchain consiste em dois tipos de registros: transações individuais e blocos. Servem como uma espécie de livro-razão público. Apesar de animadora, Nathana Sharma, professora de blockchain da Singularity University e consultora na área para companhias de todo o mundo, alerta para a necessidade de consolidação sobre o uso da tecnologia. “Para criar real valor para os negócios, os projetos de blockchain precisam maturar. Isso deve acontecer na próxima década”, revela em entrevista à Época Negócios.

Além da maturação em si, Dari alerta para desafios a mais na abordagem sobre essa tecnologia no mercado brasileiro. “Dois pontos afetam a difusão da tecnologia no país. O primeiro é a compreensão, a maioria das pessoas nunca ouviu falar, e se ouviram, pouco compreenderam sua funcionalidade na prática. Não existe nenhuma outra forma de rastrear cadeias de produção tão segura como blockchain, mas junto com a inovação vem a disruptividade, não é possível utilizar da tecnologia sem abraçar o conceito do compartilhamento de informação (ainda um tabu para a moda)”, revela. Outro fator que dificulta a pulverização da iniciativa é a necessidade de investimento para implementação da tecnologia em cadeias que carecem de recursos para tal. “Seja na implementação da tecnologia, seja no mapeamento da cadeia de produção, o que de novo esbarra com a informalidade e complexidade da moda”, observa.

Hoje, ativas no uso da TAG Alinha estão 7 marcas, mas Dari comenta que a escala de crescimento do projeto não se pauta necessariamente em números, mas na qualidade deste impacto. “Os costureiros assessorados reduziram a jornada de trabalho? Aumentaram os ganhos? Quantos % dos costureiros atendidos agora sabem precificar seu trabalho de maneira justa? Quantas marcas mudaram sua forma de produzir por influência do Instituto Alinha? Esses são exemplos de métricas que mantemos e acompanhamos internamente”, conta. Para saber mais sobre a TAG e também o trabalho de alinhamento de oficinas e conexão de mão-de-obra especializada para marcas confira o site: www.alinha.me

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