ID Fashion Atividades paralelas, desfiles: Leveza do Ser e Vale da Seda


foto Jorge Mariano

[Leia a primeira resenha aqui e a última aqui]

 

Voltando ao assunto, hoje estamos aqui para dar continuidade ao textão sobre o ID Fashion. E, para quem achava que ia ser expo + desfile, a gente diz: errou feio.

 

Isso porque a quantidade de atividades paralelas entretendo (e informando) os visitantes mal cabiam nos dois de evento. Duas palestras/bate-papos estavam na programação. O primeiro dia foi de Alice Ferraz do F*Hits, e uma meia dúzia daquelas blogueiras que tanta gente adora. Lotou? Sim, porém nem tanto. Foi legal? Trouxe um panorama interessante do ponto de vista de quem não está inserido na moda regional. Muito do que foi dito sobre o que se faz lá fora, e dentro do eixo rio-sp, dialoga com o que temos por aqui.

 

No segundo dia, o tema slow fashion trouxe designers independentes para falar sobre e estimular quem também pensa em empreender no setor. Uma conversa franca sobre como o método de produção tem se destacado não só por aqui, mas também internacionalmente, foi o ponto chave. Lotou? Um pouco menos. Foi legal? Bem, se até o F*Hits citou o slow fashion, não precisamos dizer como foi elucidativo (para dizer o mínimo) ouvir a realidade da boca de quem vive o dia a dia.

 

Se quiser entender um pouco mais sobre slow e fast fashion, não perca a matéria que fizemos na EM Curitiba #05. Ela traz um panorama sobre o momento da moda e os métodos de produção de roupas, neste link aqui.

 

foto reprodução facebook ID Fashion

 

Fora as palestras, vale destacar o user experience: simulação de uma fábrica de moda, que não teve um segundo de folga. A fila, que nunca diminuía, revelava o interesse das pessoas em descobrir na prática como é o processo de confecção, desde criação (estilo) até os acabamentos finais. Você poderá acompanhar todo o processo no nosso vídeo de cobertura que sairá em breve!

 

E por fim, quero ressaltar a performance “Parede”, protagonizada pelo estilista Alexandre Linhares e Thifany F, da Heroína. Foram metros de tecido pintados, bordados e avacalhados (este último por minha conta – sim eu pedi para desenhar também e fiz um estrela bem cafona :D). Era praticamente impossível circular sem parar um minuto para admirar a tela que se formava junto com a progressão do evento. De um dia para o outro foi uma ótima surpresa ver cada centímetro preenchido, com um traço muito suave e ao mesmo tempo com uma presença forte nas ilustrações e cores.

 

foto reprodução facebook ID Fashion

 

O que será feito do material final? Alexandre comenta comigo: “imagina só umas roupas disso tudo?”. E foi o que vimos. No desfile que encerrou o evento, a estilista Maria Eduarda Malucelli já vestia uma blusa “parede”. Aguardamos novidades!

 

Os desfiles:

 

Leveza do Ser:

 

 

Ainda no primeiro dia, o segundo desfile foi da marca curitibana Leveza do Ser. E o que vimos? O comfortwear elevado a outro nível. Num comentário sincero – e nada depreciativo, entendam – foi um upgrade daquele roupa gostosa de ficar em casa. Acontece que a roupa da Leveza do Ser não quer ficar só em casa, ela quer te levar para passear.

 

A sofisticação de modelagem e acabamento encontram a malha e o plush. Com recortes que traziam uma nova proposta de caimento, foi uma verdadeira revolução “new comfy”. Uma simbiose entre design e usabilidade. Arriscando uma alfaiataria impecável e uma mistura de texturas que sim, pode sim.

 

Mesmo com todas as novas empreitadas de confecção, o estilo mantinha-se num minimal para o dia a dia, com algumas incursões em bordados de máquina (formando estampas) e aplicações que fecharam de forma surpreendente um desfile que te tira do lugar comum.

 

Vale da Seda:

 

 

O último desfile do primeiro dia trouxe um ciclo para a passarela. A Vale da Seda apresentou uma cartela de variedades de utilização de um fio tão clássico, sem deixar de representar as fases pela qual passa para existir. Os modelos mais encorpados e modelagens mais fechadas, me fizeram lembrar do casulo. Na sequência, os vestidos mais armados com transparência e desenhados discretos, lembravam a borboleta.

 

Além dessa história, conduziu a passarela uma avaliação do potencial do material. Misturados, puros, de formas que já conhecíamos e como nunca imaginamos ver. A marca desenvolvida na região de Maringá provou que, não à toa, é responsável por colaborar com os números que colocam o Brasil como 5º maior exportador de seda do mundo.

 

Porém, não só a variação do tecido, como a elaboração do design fizeram da apresentação algo único. Com algumas referências mais vintages, a harmonia entre as peças tornam a passarela coerente, como deve ser. A modelagem solta traz visualmente aquilo que esperamos quando pensamos na seda: um toque suave e confortável.

 

O único “porém” fica por conta da tentativa, muito falha, de esconder os seios das modelos. Em tempos de feminismo em provas de ENEM, mamilos não deveriam importar tanto, ainda mais em uma passarela. Os protetores que buscaram esconder a semi nudez das modelos, acabaram evidenciando ainda mais (no contraste das cores) e chamando uma atenção negativa para uma harmonia tão grande.

 

 

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