Francesca Córdova e o rosto da moda sustentável

francesca_capa_evenmore.png

foto reprodução

 

Aléxia Saraiva

 

Um dos questionamentos que caminha ao lado do movimento do slow fashion é como viabilizar uma moda sustentável equilibrando a autenticidade com a oferta ao consumidor de um modo acessível. Neste cenário, a estilista Francesca Cordova é um dos maiores nomes curitibanos. Com foco em peças desenvolvidas com técnicas manuais, como o crochê e o bordado, a marca investe no artwear – a arte de se vestir – combinando a reflexão sobre uma moda sustentável com a personalidade própria das suas coleções.

 

No fim de novembro, Francesca esteve presente na primeira semana brasileira de moda sustentável, a Brasil Eco Fashion Week, que aconteceu em São Paulo. O evento (como divulgamos aqui) tinha como objetivo promover marcas nacionais que oferecem moda engajada com a consciência de consumo e preservação ambiental, e para isso contou com desfiles, palestras, workshops e um showroom que disponibilizava as peças tanto para lojistas como para o consumidor final. 

 

“Foi uma iniciativa corajosa, e foi impecável. Eles tiveram essa sabedoria de perceber que a moda sustentável precisa ter um apelo, que precisa ter não só o ativismo, mas também a sensibilidade de conseguir transmitir para as pessoas o desejo de moda”, conta Francesca, que participou dos desfiles com sua coleção MANUS.

 

O ativismo do qual ela fala esteve presente no evento sob o viés de mais de trinta marcas brasileiras, cada qual com sua própria proposta de consumo consciente. Foi um contexto que favoreceu o olhar e o fazer de Francesca. “Minha visão da sustentabilidade é um pouco mais ampla, no sentido de que eu acho que as pessoas têm que ser sustentáveis como seres humanos: estar bem consigo mesmo, fazer escolhas melhores, ter menos ansiedade com relação ao consumo”. 

Por isso, a estilista foca no design de peças atemporais, que permaneçam no tempo, além de buscar fornecedores que tenham comprometimento com usabilidade e conforto e utilizar mão de obra local. “São pequenas ações que a gente busca todos os dias melhorar para conseguir minimizar o que for possível e mostrar pro consumidor que é viável, que existem outras possibilidades e que o vestir pode ser um ato de preservar não só o ambiente mas a si mesmo”, define.

 

Mesmo com o enfoque em processos manuais de produção, ela reconhece que a tecnologia tem trazido inúmeros benefícios para várias ideias novas que surgem: seja com apelo vegano, não usando determinada matéria-prima ou fazendo o upcycling (que é o aprimoramento em produtos de matéria-prima de descarte). Nem por isso as diferenças afastam essas iniciativas: “Estamos todos no mesmo barco e contribuindo pra pensar uma outra forma de sistema da moda. Pra mim, o evento foi importante por mostrar que o sustentável pode ter design e ser bonito, ter apelo estético elevado e uma linguagem de moda, mas com uma série de preocupações e critérios de sustentabilidade”, conclui Francesca.

 

O artwear

 

Uma das tendências que têm crescido dentro da conscientização sobre a moda sustentável é o guarda-roupa cápsula. São vários os influenciadores digitais e blogs que propõem a ideia do enfoque na compra de roupas básicas que vão ser combinadas entre si para uma maior pluralidade de looks, sem um consumo exagerado. Francesca há mais de uma década já promovia essa ideia, quando essa discussão ainda acontecia em escala muito menor. Foi com o amadurecimento do seu trabalho aliado às grandes marcas de fast fashion também propondo as “peças essenciais” que a estilista percebeu a necessidade de encontrar um novo nicho: foi quando passou a trabalhar com o artwear.

 

“O guarda-roupa cápsula já é uma realidade, mas as pessoas também precisam das peças de diferenciação. Só os básicos acabam falhando quando a gente fala de personalidade e autenticidade. O artwear entra nesse quesito: eu acabei parando de fabricar as peças básicas e essenciais e me concentrei nas peças de mais relevância. São peças que trazem essa autenticidade que as pessoas tanto desejam, que faz parte da personalidade de cada um, com história e narrativa”, explica Francesca.

 

 

Novidades para 2018

 

Francesca deixa pistas de que o ano que vem vai contar com várias novidades: “tenho trabalhado bastante para abrir mercado fora do Brasil”, revela. Parte dos resultados vêm da união das forças dos que se engajem por uma moda consciente, e seguem nessa onda. “É um trabalho longo a ser feito, mas pelo menos agora a gente tem um grupo, um lugar onde mostrar. Pessoas juntas com a mesma intenção de fazer diferente. Isso tudo é muito positivo e acho que a gente vai ter muita coisa boa pra falar daqui pra frente”, prevê. 

 
 
 
newsletter >
Scroll to top