Fashion Revolution promove live para lançamento de plataforma que abraça a fiscalização de cadeias produtivas na moda


Pelo sétimo ano a semana que circunda o dia 24 de abril renova o tom de mobilização. O Fashion Revolution, movimento mundial orgânico que teve seu início após a queda do edifício Rana Plaza em Bangladesh em 2013 – espaço que abrigava confecções prestadoras de serviços para diversos títulos da indústria de fast fashion (saiba mais aqui) – surge como um apelo, novamente, à conscientização.

Hoje, em 2020, num cenário completamente novo, a semana que se consolidou como insurgência pontual nos discursos sobre ética e sustentabilidade na moda global migra para plataforma 100% digital. A adesão, contudo, continua no novo formato e reverbera durante essa semana, e os próximos dias, discussões sobre quatro pontos: consumo, composição, condições de trabalho e ações coletivas.

A cadeia de produção e o covid-19

Diante até desde novo momento, também novas questões se somam às antigas. O panorama sobre o possível efeito que a crise financeira do novo coronavírus possa ter sobre a cadeia de produção da moda (item não essencial) vem sendo sentida. “A crise decorrente da Covid-19 está prejudicando milhões de trabalhadores em todo o mundo. Em Bangladesh, o segundo maior produtor global de itens de vestuário, já foi calculado em quase 3 bilhões de dólares a quantidade de pedidos cancelados de acordo com a revista Forbes. No Brasil a realidade não é tão diferente. Pedidos cancelados, fábricas paralisadas e muitos trabalhadores impossibilitados de produzir, em uma realidade onde muitos dependem da produção diária para se alimentar”, destaca o release oficial do movimento.

Entramos em contato com a organização para esclarecer sobre quais dados vêm baseando as análises sobre o impacto da pandemia nos empregos da cadeia de moda no Brasil especificamente e, segundo a assessoria, as leituras que fundamentam as colocações do movimento estão disponibilizadas publicamente através de um documento na plataforma de compartilhamento (indicaremos aqui o link de acesso que nos foi passado).

QUESTIONAMENTO X FISCALIZAÇÃO

Para reforçar e mensurar a transparência reivindicada durante abril pelo movimento, outra plataforma de informações e insurgência de um novo pensar surgiu, há dois anos, à campanha: o Índice de Transparência da Moda no Brasil (confira a versão de 2019 por aqui). A pesquisa é feita em parceria com a Fundação Getúlio Vargas a fim de identificar o avanço na implementação de transparência das marcas para com consumidores, pauta exigida durante as manifestações anuais. Como a semana, a iniciativa também se baseia na disponibilização de informações e estímulo ao questionamento.

“Antes de tudo, incentivamos as pessoas a repensarem seus hábitos de consumo, se elas realmente precisam de uma roupa nova e propomos novos olhares e alternativas, como por exemplo, bazares de troca, roupas de segunda mão, prolongando a vida útil das peças ao máximo também ao consertar, remendar, customizar”, comenta Eloisa Artuso, responsável pelo Índice no Brasil.

A informação em ambas as plataformas presta seu papel de educação, ao informar o público de maneira repetitiva e mais superficial a introduzir um hábito de questionamentos. Contudo, assim como a semana do Fashion Revolution, índice também não tem um perfil de fiscalização ou auditoria das informações disponibilizadas.

“Auditorias ou certificações não estão no nosso escopo de trabalho. O Índice tem como objetivo incentivar a divulgação de dados públicos, detalhados e acessíveis por parte das marcas sobre suas políticas e práticas sociais e ambientais, e não necessariamente averiguar a precisão dessas informações, para isso existem outras organizações”, afirma Eloisa.

VISIBILIDADE PARA SOLUÇÕES

Apesar de não discorrer sobre o processo de acompanhamento próximos de cadeias produtivas, o movimento, em sua semana de conteúdos e palestras, dá visibilidade a iniciativas que abracem a responsabilidade, como é o caso do Moda Livre, aplicativo que indica confiabilidade de empresas em relação aos aspectos trabalhistas, criado em parceria com a plataforma Repórter Brasil.

Em formato de live, haverá na sexta (24) lançamento da plataforma reformulada ganha espaço na programação oficial – a que está concentrada via instagram do movimento na Brasil (@fash_rev_brasil). Na quinta (23), às 19h, Leonardo Sakamoto do Repórter Brasil junto com a coordenadora do Fashion Revolution Brasil Fernanda Simon, fazem uma live para debater condições de trabalho, sete anos após a queda do Rana Plaza. Além de parceiros no aplicativo MODA LIVRE, o portal Repórter Brasil atua diretamente na investigação e denúncia de condições de trabalho em território nacional, sendo um importante agente fiscalizador da cadeia produtiva e das promessas de transparência.

SEMANA 2020

As condições de trabalho precárias na Indústria da moda, que sempre foram questionadas pelo movimento, se mostram exacerbadas em momentos como esse. Com demissões em massa e reduções de salário acontecendo na indústria, é colocada ainda mais luz sobre a vulnerabilidade dos trabalhadores. A falta de transparência, que muitas vezes encoberta a falta de responsabilidade das empresas para com seus trabalhadores, cria condições perfeitas para que pessoas sejam negligenciadas em detrimento ao lucro.

O Fashion Revolution acredita que a capacidade de empatia coletiva é fortalecida por nossa experiência global compartilhada. Precisamos usar do direito de ficar em casa nesse momento, que deveria ser um direito de todos, para amplificar nossas vozes. Agora, mais do que nunca, precisamos promover ações coletivas para que tenhamos ainda mais voz na luta por uma cadeia de moda mais justa.

Até domingo (26) lives oficiais e regionais acontecem em torno do movimento. Para acessar a programação basta entrar em www.semanafashionrevolution.com.br.

O Índice de Transparência na Moda, com a pesquisa sobre abertura e adesão de grandes varejistas à transparência em suas comunicações, é disponibilizado sempre ao final do ano (acesse a edição 2019 aqui).

Previous Dicas para conservar peças e reduzir impacto das lavagens domésticas
Next O normal da Vogue Brasil serve a quem?

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *