Fashion Revolution lança segundo Índice de Transparência da Moda no Brasil


O relatório chega à sua segunda edição numa análise sobre as maiores marcas e varejistas do setor, revelando o panorama da indústria da moda no país.

 Vivemos tempos em que as questões sobre sustentabilidade e redução de impacto dentro de empresas de moda (e na verdade de qualquer outra indústria) passaram de opcionais a obrigatórias; e isso em todos os âmbitos: social, econômica e ambiental. Conforme os consumidores criam consciência e aumentam a demanda por essas práticas, cresce também o número de empresas que as apresentam.

Desde 2018, o Índice de Transparência da Moda no Brasil, pesquisa realizada pelo Fashion Revolution nacional e inspirada na iniciativa global, auxilia na compilação e análise da transparência das maiores marca sobre métodos produtivos e cadeias. O projeto pretende estimular a cultura de prestação de contas entre empresas e consumidores através do compartilhamento de informações sobre processos.

BAIXE AQUI O RELATÓRIO COMPLETO

Hoje, 10 de dezembro, o Índice chega à sua segunda edição e traz ao público um indicador de informações de 30 grandes marcas da indústria da moda no Brasil. A metodologia se concentra exclusivamente em capturar informações públicas e, portanto, a ponderação das pontuações procura recompensar níveis elevados de detalhamento de informações, especialmente em publicações de listas de fornecedores e resultados de avaliações e auditorias.

A transparência, ao contrário do que se imagina, estimula a competição saudável entre empresas em busca de processos mais éticos; posiciona frente aos consumidores e fornecedores, parceiros e investidores; traz luz às responsabilidades de todos ao longo da cadeia de fornecimento; promove um ambiente de trabalho satisfatório; incentiva melhores práticas internas e acessibiliza dados, impulsionando a indústria como um todo a avançar.

Como ler o Índice?

A equipe do Fashion Revolution analisou as informações disponíveis publicamente pelas empresas em cinco categorias: “Políticas e Compromissos”, “Governança”, “Rastreabilidade”, “Conhecer, Comunicar e Resolver” e “Tópicos em Destaque”. As seguintes marcas foram selecionadas para a análise, de acordo com critérios de diversidade setorial, volume de negócios anual, diversidade de segmentos de mercado e o posicionamento como top of mind. São: Animale, Arezzo, Brooksfield, Carmen Steffens, C&A, Cia. Marítima, Colcci, Colombo, Decathlon, Dumond, Ellus, Farm, Havaianas, Hering, John John, Le Lis Blanc Deux, Leader, Lojas Avenida, Malwee, Marisa, Melissa, Moleca, Olympikus, Osklen, Pernambucanas, Renner, Riachuelo, TNG, Torra e Zara.

Resultados do Índice de transparência da Moda no Brasil 2019. (Reprodução / Fashion Revolution Brasil)

Em relação aos resultados, a coordenadora do projeto e diretora educacional do Fashion Revolution Brasil, Eloisa Artuso, explicou ao Even More que: “foi possível notar um crescente aumento na quantidade de informações disponibilizadas por elas [marcas] em seus sites com relação às questões que buscamos em nosso questionário de avaliação”.

De acordo com Eloisa, empresas como Pernambucanas, Renner, Riachuelo, Hering e Osklen, ganham destaque: “as Pernambucanas com variação de 140%, seguida pela Renner, que aumentou 98% o seu nível de divulgação. Também tiveram uma boa evolução a Riachuelo, com 62%, a Hering, com 55%, e a Osklen com um aumento de 46% no volume de informações e dados disponíveis. Este progresso, juntamente com o feedback que recebemos diretamente de algumas empresas, sugere que a inclusão no Índice de Transparência da Moda motivou com que elas se tornassem mais transparentes”.

Igualdade de gênero

A cada ano, o Índice de Transparência da Moda aborda e explora um conjunto de questões consideradas importantes para a indústria da moda com maior profundidade. Em 2019, o relatório brasileiro, assim como o global, destaca quatro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. A equipe do Fashion Revolution elencou os ODS 5, 8, 12 e 13 como particularmente relevantes para pautar o trabalho de marcas e varejistas.

Nesses quatro objetivos, equipe e consultores identificaram alguns desafios mais urgentes, tais como: violência de gênero no trabalho, disparidades salariais entre mulheres e homens, barreiras à liberdade de associação, baixos salários e remunerações, práticas de compra, descarte inadequado de resíduos, pouca adesão a iniciativas de reciclagem de produtos têxteis e de incentivo à circularidade desses produtos e pegada de carbono da indústria da moda.

Leia também: Inviabilizações práticas para uma circularidade na moda do Brasil

Dentre alguns dos resultados de igualdade de gênero, apenas 40% das empresas analisadas publicam as proporções anuais de cargos executivos e gerência entre mulheres e homens ou a % de mulheres nesses cargos e apenas 10% publicam a diferença de salários entre mulheres e homens dentro da empresa.

Descobertas rápidas

A pontuação média geral foi 16%, sendo que apenas 1 marca pontuou acima de 60%. Dentre as 30 grandes marcas e varejistas pesquisadas, 13 obtiveram pontuação final igual a 0%. Isso não significa, necessariamente, que elas não tenham boas práticas e iniciativas, mas que, no momento da pesquisa, não compartilhavam publicamente nenhuma informação sobre os temas investigados.

Em média, as 20 marcas que foram analisadas em ambas as edições do Índice revelaram um crescimento médio de 38% em seus níveis de transparência, de um ano para cá. No entanto, Eloisa Artuso acredita que “embora nossa pesquisa este ano demonstre uma importante melhora na média geral entre as 20 empresas presentes nas 2 edições, percebemos que, mesmo as marcas e varejistas líderes ainda têm um potencial significativo para aumentar a transparência sobre suas cadeias e ampliar a organização e o compartilhamento de informações mais detalhadas sobre os resultados e impactos de seus esforços junto a seus consumidores e/ou outras partes interessadas.

No índice do ano passado, 8 das 20 marcas analisadas não foram consideradas transparentes, ou seja, 40% do total. Este ano, por conta da inclusão de novas marcas, que também não pontuaram, foi observado um leve aumento neste número, para 13 marcas dentro de 30, o que corresponde a 43% do total. “No entanto, se considerarmos a média geral somente das 20 marcas analisadas nas 2 edições, é possível observar um aumento de 17% para 23%. O que sugere que, uma vez incluídas na pesquisa, as marcas se sentem incentivadas a disponibilizar mais informações publicamente. Esse crescimento das 20 marcas presentes nas 2 edições é observado em cada uma das seções: políticas e compromissos; governança; rastreabilidade; conhecer, comunicar e resolver; e tópicos em destaque.”, nos conta Eloisa Artuso.

Planos Futuros

As informações contidas no índice são disponibilizadas pelas empresas participantes, o que pode gerar certo receio. Contudo, Eloísa Artuso afirma que o Fashion Revolution não pretende fazer parceria com empresas de compliance, para garantir a veracidade das informações contidas no índice. Não temos parceria com nenhuma empresa de compliance e não está previsto no escopo do nosso projeto”.

O Fashion Revolution tem a intenção de que o índice siga anualmente e que alcance cada vez mais pessoas, assim como o número de empresas participantes: “Queremos manter a publicação anualmente, aumentando o numero de marcas analisadas a cada edição, trazendo novos parceiros apoiadores do projeto e divulgando o relatório para que cada vez mais pessoas tenham acesso”, reitera Eloisa.

O Índice de Transparência da Moda Brasil teve apoio institucional da Aliança Empreendedora, Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), COPPEAD – UFRJ, InPACTO, Rede Brasil do Pacto Global e é uma iniciativa financiada globalmente pelo Instituto C&A. O projeto está aberto para co-financiamentos, desde que observadas as medidas necessárias para garantir sua autonomia e neutralidade. O evento de lançamento que ocorreu agora a pouco em São Paulo na Unibes Cultural contou com a presença de Sarah Ditty, diretora de políticas do Fashion Revolution global.

Baixe o relatório global POR ESTE LINK e a primeira edição do relatório Brasil em NESTE LINK.

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