Fashion Revolution amplia discussões sobre indústria da moda


Há 6 anos a data de 24 de abril é lembrada. Na ocasião, em Bangladesh, desabava o edifício Rana Plaza, local que abrigou uma confecção terceirizada por diversas labels de moda ao redor do mundo. A falta de saneamento e condições de trabalho desumanas chamaram a atenção para os motivos da maior tragédia da história da moda – que matou cerca de 1.000 pessoas, deixando inúmeras outras feridas.

Leia também: Primeiro Moda em (R)evolução propõe uma visão geral sobre o que estamos fazendo na moda hoje

De lá para cá, #quemfezminhasroupas é uma constante nas mídias sociais durante a semana em que caí o dia 24/04. Como forma de resgatar os motivos urgentes e necessários para uma verdadeira revolução, o Fashion Revolution mobilizou o mundo numa campanha para promover transparência e cobrar posicionamento das marcas sobre as condições de trabalho da mão-de-obra da cadeia. A iniciativa sem fins lucrativos está presente oficialmente no Brasil há 5 anos, mas 2019 é tempo de falar de algumas coisas mais.

Não apenas a cadeia ética no que diz respeito à mão-de-obra, a grande demanda do consumidor hoje é também pela sustentabilidade e meio ambiente. A Semana Fashion Revolution 2019 começa no Dia da Terra, 22 de abril, e oferecerá ações positivas que todos podem adotar para reduzir a pegada de carbono das roupas, além de destacar o impacto devastador da indústria da moda no aquecimento global. Brasil afora serão realizados mais de 500 eventos, com atividades diversas, como palestras, trocas de roupas, exibição de filmes, painéis de discussão, rodas de conversa e oficinas.

No que tange à pauta sobre o trabalho dentro da indústria, é o momento de voltar os olhos à desigualdade de gênero e questões relacionadas ao assédio, para somar às exigências do consumidor mobilizado. Uma pesquisa da Global Slavery Index identificou 40,3 milhões de pessoas em situação de escravidão moderna em 2016, das quais 71% são mulheres. O assédio sexual, a discriminação e a violência baseada em gênero contra as mulheres são endêmicos na indústria global de vestuário, em que elas representam 80% da força de trabalho.

Para atuar junto à população a inciativa coordena movimentos, campanhas, palestras, talks e oficinais de conscientização ao redor do mundo e a estimativa de participação global chega a 275 milhões de pessoas. No Brasil, mais de 80 faculdades, 51 cidades de 19 estados e o Distrito Federal, vão realizar atividades para debater a futura indústria da moda. Aqui em Curitiba somamos o número expressivo de mais de 40 atividades.

Para ter acesso à programação, que envolve desde visitas guiadas ao maior e-commerce do Brasil, a oficinas de upcycling, talks sobre indústria, comunicação e exibição de documentários – é só acessar o evento no Facebook (neste link aqui).

A ideia geral do Fashion Revolution 2019 é encorajar pessoas a reconhecer o impacto pessoal e valorizar a qualidade em detrimento da quantidade por meio de três pilares: mudanças na indústria, culturais e políticas.

Mudanças na indústria

Não vivemos em um modelo de negócios sustentável. A indústria da moda deve medir o sucesso além das vendas e lucros e valorizar igualmente o crescimento financeiro, o bem-estar humano e a sustentabilidade ambiental. É urgente uma indústria de moda transparente e que se responsabilize pelas suas práticas e impactos sociais e ambientais.

Mudanças culturais

A cada compra, uso e descarte de roupas, é gerada uma pegada ambiental e um impacto nas pessoas que as produzem – na maioria, mulheres. É preciso promover mudanças culturais para um consumo mais consciente de suas responsabilidades e que atue para mudar a cultura da moda.

Mudanças políticas

A transparência e a responsabilidade social e ambiental da indústria global da moda devem estar na agenda governamental de todos os países. Com os regulamentos e incentivos corretos em vigor e devidamente implementados, o governo pode incentivar uma “corrida pelo primeiro lugar”, na qual pessoas e empresas recebam apoio e incentivo para adotar mentalidades e práticas mais responsáveis e sustentáveis.

“Moda revolucionária é aquela que faz bem para todos: para a Terra, para quem fez e para quem usa. Lembrar que moda, representatividade e liberdade devem estar na mesma página”, diz Fernanda Simon, Diretora Executiva do Fashion Revoluiton Brasil. Com uma proposta mais integrada, a nova fase da iniciativa global promove um pensamento coerente com suas próprias pautas e tantas outras que movem revoluções diárias rumo a um futuro mais inteligente.

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