Essa coisa Arad de ser


Começo a matéria com uma frase do próprio estilista, postada quando ele compartilhou um artigo nosso. Desde aquele dia sabia que gostava do Roberto, mesmo sem conhecê-lo direito. Já admiradora de seu trabalho como estilista e do projeto Vicentina, bastou um primeiro contato e ele já se prontificou a nos dar uma entrevista.

 

Numa quinta pela manhã fomos ate a loja Arad para nossa conversa. E qual não foi nossa surpresa quando saímos de lá duas horas depois de um super bate-papo e boas risadas. Arad, ou Roberto, é uma daquelas pessoas ícones, que tem uma vida tão interessante que não dá vontade de interromper com alguma pergunta.

 

 

Curitibano-carioca-curitibano de novo, Arad começou na carreira quando um casal de amigos o convidou para trabalhar em uma confecção. Roberto gostava de fazer suas gravatas (no estilo borboleta), e algumas roupas, ainda na faculdade de Artes Cênicas – sempre com auxílio da mãe para produzi-las. Daí para frente, tchau emprego no banco, olá Rio. Foi estudar moda e trabalhar em confecções na cidade paraíso, mas acabou regressando por força das circunstâncias.

 

De volta a Curitiba, um sobrinho pediu que ele confeccionasse uma camiseta. Quando fez um modelo para seu parente, o sucesso foi tanto que acabou comercializando a peça. Com a crescente demanda, começou a ir para São Paulo comprar produtos e sua primeira coleção inspirou-se na Guerra dos Mundos. A timidez ditou o nome inicial de sua marca – Orson Welles, narrador do episódio retratado também na sua primeira coleção. Daí para frente sua ascensão foi rápida, da venda direta a pessoas para lojas renomadas. Os seus Bazaares (uma alusão à escrita da Harpers Bazaar) viraram sucesso nos anos 90 e reuniam diversas pessoas interessadas em moda para comercializar peças, conversar, beber um vinho e ouvir boa música. Já dentre as melhores lojas do Rio, São Paulo e a própria Curitiba, Roberto entrou para o frenético mundo da moda com sua visão inovadora. Com um estilo bem audacioso ele via suas roupas sendo criticadas e consumidas a uma velocidade impressionante.

 

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Junto com o sucesso vieram também as exigências. A demanda impaciente do mundo da moda acabou por exaurir o artista que preferiu dar um basta naquele ritmo insano de produção e retomar suas origens para criar sua verdadeira arte. Hoje, numa loja muito bem localizada e com uma produção bem ao seu estilo, Arad se encontrou. Com o slow fashion as possibilidades de se descobrir melhor abriram, e suas coleções têm cada vez mais o perfil desejado. Basta um olhar ao redor para ver peças completamente atemporais, autorais de acabamentos inacreditáveis. O seu trabalho, hoje, atende aos seus clientes, dos mais antigos ao que o conhecem agora. Uma demanda por personalidade e qualidade. Fã da semiótica na hora da criação, as roupas Arad não são apenas itens de vestimenta, elas são uma história contada para quem quiser ouvir.

 

Inspirado, inclusive, por esta característica, Roberto iniciou um projeto chamado Relabel. Na contramão daquilo que acredita ser o excesso de produção, nos períodos de grandes liquidações de marcas ele promove a troca de antigos produtos da loja, por valores descontados de peças novas. Esses usados serão reformados, lavados e logo terão um corner disponível para serem recomprados. Coleções antigas e novas dividiram um espaço de valorização dos produtos Arad.

 

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A Vicentina.

 

Há alguns anos, quando a volta das referências dos anos 90 influenciavam as produções de moda, Arad, numa retomada de sua vida para inspirar suas criações, resolveu retomar seus Bazaares.

 

Claro, o nome já estava defasado com a larga exploração do seu significado. Vizinho de diversos empreendimentos que tinham algo a mostrar, ele resolveu unir forças e abrir as portas para amigos, novos designers e gente interessada em conhecer novidades. Num dia, sem querer, na forma como surgem as melhores ideias, o nome Vicentina lhe ocorreu. E hoje, rumo a sua oitava edição (nos próximos dias 7 e 8 de junho), já é algo muito bem definido desde os cronogramas de participação até a organização de divulgação.

 

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A cada nova Vicentina, designers locais são apresentados e expõem seus trabalhos na loja de Roberto, aberta a todos. Além disso, música, poesia e muitas outras atividades incentivam a participação dos transeuntes e a ocupação das calçadas ao entorno. Uma festa local, cheia de significados e arte, bem ao estilo Arad de ser.

 

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