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[EM]TREVISTA: Desafio Moda Autoral – IAGO BRAND

26 de julho de 2019 - 12h27
Por Even More

Durante o último mês, a 10ª edição do LabModa movimentou as atividades do Pátio Batel. O Desafio Moda Autoral encerrou a programação destacando quatro marcas que participavam do evento para se ficar de olho. Dentre os jurados estava a jornalista de moda Lilian Pacce.

A iniciativa ofereceu como prêmio uma permanência de 15 dias (até o final dessa semana) na loja Gallerist do shopping. Conversamos com cada um dos ganhadores para trazer uma visão fresca sobre o mercado em 2019, desafios da cidade e perspectivas. Iago Brand vem de Santa Catarina para reafirmar seus valores em contato direto com os clientes da cidade e conversou com a gente sobre a dinâmica contemporânea que acredita ser essencial para uma marca de moda.

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Even More: De onde surgiu a ideia da marca e com que segmento de moda vocês se identificam?

Iago: A ideia de criar a Iago Brand surgiu de um propósito pessoal. Já trabalho há 7 anos com moda e já tive percepção e sensibilidade de vários setores, desde a indústria até o varejo e o marketing. Foi dali que surgiu a ideia de trazer uma marca como um novo formato, uma nova cadeia produtiva, um novo jeito de produzir, de empreender, de comunicar. O nosso segmento hoje é voltado para a questão do conforto, da leveza, mas nosso produto não tem faixa etária, e também é agênero. As nossas peças são feitas para a pessoa se identificar e usar.

EM: O que para você é ter e criar uma marca de moda hoje no mercado?

I: Somos uma marca jovem e nascemos nesse novo mundo, com consciência, um apelo com a sustentabilidade. E não só a questão da sustentabilidade da matéria-prima, mas do bem-estar, do processo, de todas as pessoas que passam por esse processo. Proporcionar uma mão-de-obra qualificada, com preço justo, tempo. Eu senti muito nesse decorrer da jornada na moda, como o tempo é desvalorizado -o tempo real das coisas. A gente não está mais respeitando o limite do nosso tempo, a ordem cronológica do tempo. E eu vejo que isso é um dos fatores que mais tem pesado, não só por ser uma das indústrias que mais polui o meio ambiente, mas por esse desgaste psicológico, o desgaste desses profissionais que estão em volta de todo o processo, de toda a indústria. Como uma marca jovem, a gente tem a obrigação de já ter esse olhar, essa consciência. E não podemos visar apenas o lucro, a gente precisa, antes de ganhar dinheiro, ter propósito, tocar a vida das pessoas, levar além de um produto para elas. Desde o consumidor final, a pessoa que está costurando a peça, embalando para mandar para uma loja.

foto reprodução @iagobrand

EM: O Lab Moda foi a primeira experiência de contato mais prolongado com o público? Em formato loja?

I: Hoje o mercado da Iago Brand é voltado para multimarcas, mas por estarmos no Lab Moda diretamente com o consumidor final, passando todo o propósito da marca e escutando esse consumidor, tivemos muito mais essa percepção de como as pessoas estão desenvolvendo essa consciência. Elas estão cada vez mais atentas a como um produto é feito, qual a origem da matéria-prima. O Lab proporciona esse contato muito genuíno com o consumidor. Às vezes, a indústria está focada em produzir e vender, mas ela não tem a sensibilidade de conversar com o consumidor final. Pudemos enxergar vários pontos de vista e ver como as pessoas estão cada vez mais preocupadas também em comprar um produto que tenha consciência, que tenha qualidade. Algo que vai ter longa durabilidade. Não é mais aquela moda de a cada 15 dias uma novidade, cada temporada uma nova tendência. Pudemos sentir como as pessoas elas valorizam uma moda atemporal, um produto a longo prazo. Acho que uma das maiores experiências foi justamente ter esse feedback do consumidor final ali diretamente.

EM: Como foi a experiência em termos de visibilidade e de retorno em compras? Algum feedback que chamou a atenção?

I: Como somos de Santa Catarina, estar no Lab foi o primeiro contato com o público do Paraná. E hoje nosso público-alvo está nas maiores cidades, são aquelas pessoas que já compram um produto com consciência. Um dos maiores feedbacks, que mais me chamou a atenção, foi realmente a questão da qualidade. Eu vejo que a gente precisa ter qualidade, mas que também precisa ter preço justo. Por que não adianta eu ser sustentável, buscar outra alternativa de matéria-prima e não ser sustentável no meu valor.

EM: Quais as expectativas para a temporada de vendas em uma loja física dentro do shopping, em especial dividindo espaço com outras marcas de todo o Brasil?

I: Eu acho que estar dentro do Gallerist é um privilégio. É uma vitrine maravilhosa estar ao lado de tantas marcas já renomadas e que vendem qualidade, conceito. Isso deixa os nossos produtos, as marcas selecionadas, com muito mais valorização. Foi muito válida essa oportunidade, independente de vendas ou não. Estar hoje no Gallerist, uma multimarca tão renomada, é mais que uma vitrine, é uma ponte. Onde você “linka” esse consumidor, que talvez consome luxo, mas também consome consciência, consome um produto com sustentabilidade.

EM: Parafraseando o nome do concurso, o que para você é o maior desafio de ser autoral no mercado hoje? E quais estratégias usa para driblar isso?

I: Um dos maiores desafios é justamente a questão de não podermos mais visar um negócio, visar uma marca, pensando apenas no lucro. Eu acho que ser autoral é enxergar toda a cadeia, desde a indústria até quando o produto chega no lojista. É você ter essa noção, essa sensibilidade de mercado, e ter um produto cada vez mais assertivo. Algo que realmente vá somar na vida da pessoa, e não seja apenas mais uma tendência. A gente precisa cada vez mais criar ações sólidas, produtos sólidos, relações sólidas. E isso é um dos maiores desafios de ser autoral hoje por questão do extremo em que a moda chegou. Do tempo massificado. Do produto massificado. O desafio é ter toda essa análise e de todos os mercados que envolvem a moda.

 

 

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