Curitiba na ponta do lápis


Foi em um domingo de sol que encontramos José Marconi e Fabiano Vianna, sentados em suas cadeiras de praia, com lápis e papel em mãos, desenhando o Museu Oscar Niemeyer. Espalhados pela grama e calçadas por perto, outras tantas pessoas registravam suas perspectivas deste local tão querido pelos curitibanos. Aquelas pessoas em questão formam o Croquis Urbanos, maior grupo aberto de desenhistas do Brasil, que surgiu ao acaso no mês de março deste ano.

 

 

Um dia, da janela do apartamento, Lia Rossi e José Marconi avistarm o arquiteto Reinaldo Klein desenhando o Paço da Liberdade. Resolveram, então, juntarem-se à ele para registrar o monumento também. Depois daquele dia, em um próximo encontro desta vez já combinado, contaram com a companhia de Wagner Polak, seguido por Fabiano Vianna e muitos outros que vieram desde então progressivamente. A média de participantes por encontro hoje é de 50 pessoas. “É engraçado porque curitibano tem essa fama de ser mais fechado, e no fim nós acabamos sendo o maior grupo de desenhos do Brasil”, comenta Fabiano.

 

A ideia de colocar no papel cenas do cotidiano, além dos pontos específicos da cidade, surgiu com o movimento francês Urban Sketchers, que hoje é febre no mundo todo. A versão curitibana ganhou características próprias e os resultados de cada encontro não poderiam ser mais encantadores. É em um clima familiar que eles se reúnem todo domingo, cada dia em um ponto diferente da cidade. Locais como o Cemitério Municipal, Museu Botânico, Parque São Lourenço e MON foram registrados pelos diferentes olhares desse pessoal.

 

O foco do grupo é registrar lugares pitorescos e também residências antigas que correm risco de demolição, através dos desenhos. Com todo o sucesso, eles também são convidados por locais específicos para levar a energia de suas ilustrações. O Hospital Pequeno Príncipe, por exemplo, convidou o conjunto para desenhar com as crianças internadas por lá. “Nós ficamos espalhados pelos andares do hospital desenhando com as crianças, foi muito legal”, lembra Fabiano.

 

Não é necessário ser um desenhista de mão cheia para se juntar a essa turma. De profissionais a amadores, o grupo é composto por pessoas de todas as idades e o resultado disso é uma mistura bacana de estilos e olhares. Os locais são escolhidos de maneira aleatória e o encontro, que ocorre todo domingo, tem duração de duas horas – das 9:30 às 11:30. Ao final, todos se reúnem para fazer uma breve exposição da produção do dia.

 

Quem tiver interesse em participar, os locais são divulgados na página do grupo no Facebook: Croquis Urbanos

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