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Como as novas tecnologias podem ajudar a tornar a moda mais sustentável?

21 de fevereiro de 2019 - 08h54
Por Even More

De tecidos produzido por meio de bioengenharia a soluções inovadoras de embalagem, os participantes do VOICES Salon discutem quais medidas a indústria pode adotar para gerenciar o crescimento de uma maneira menos prejudicial ao meio ambiente.

publicado originalmente por Lauren Sherman em BoF.

A pegada ambiental da moda é uma das maiores entre de as indústrias do mundo, embora seja quase impossível medir o verdadeiro alcance de seu impacto (a mais citada declaração de que é a segunda indústria mais poluidora do mundo já foi rejeitada várias vezes).

No entanto, de acordo com um relatório de 2018 divulgado pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, a indústria de vestuário produz 20% do desperdício global de água e 10% das emissões globais de carbono, enquanto 85% dos têxteis – 21 bilhões de toneladas – são enviados por ano para aterros.

Os consumidores estão comprando mais roupas e mantendo-as consigo por metade do tempo, impulsionadas pelas fast fashions, pelo marketing e pela pressão digital por novidades.

E, no entanto, enquanto as receitas aumentam quando os consumidores compram mais roupas, também há evidências de que implementar práticas sustentáveis pode realmente aumentar os lucros. Alocar recursos de maneira mais eficiente, construir melhores condições de trabalho e usar materiais sustentáveis poderiam aumentar as margens em 1% a 2% até 2030, de acordo com um relatório de 2017 divulgado pela Global Fashion Agenda e pelo Boston Consulting Group. E quando as empresas se responsabilizam publicamente também podem criar uma melhor impressão junto aos consumidores.

Mas como a indústria pode melhorar globalmente? Esse foi o grande levantamento em uma discussão do salão na VOICES, a reunião anual do BoF para grandes pensadores em parceria com a QIC Global Real Estate, realizada em novembro de 2018. O grupo, preenchido com pessoas da indústria que lideram a conversa sobre sustentabilidade, determinou que a moda pode fazer mudanças imediatas investindo em biotecnologia, embalagens sustentáveis, ar e clima e na economia circular.

Quando se trata de tecidos de bioengenharia – que alguns argumentam ter um impacto ambiental menor do que os tecidos naturais – os desafios surgem na forma como produzir em escala. Como os substitutos do couro, por exemplo, podem ser facilmente disponibilizados? Como um participante observou, a indústria “realmente sobrevive com 10 tecidos”, muitos dos quais foram desenvolvidos há centenas de anos. “Dez anos é um piscar de olhos na biotecnologia”, disse um especialista.

A fim de escalar com a mesma rapidez que a indústria quer, as empresas que desenvolvem materiais de bioengenharia – de materiais biodegradáveis a couro artificial e diamantes sintéticos – levantaram centenas de milhões de dólares na esperança de atender à demanda da indústria, mesmo que o desejo do consumidor seja atualmente mínima para esses produtos.

O impacto ambiental desses materiais artificiais é outra consideração a ser feita. À medida que essas empresas escalam os produtos, elas precisarão avaliar cuidadosamente se as alternativas são de fato menos prejudiciais do que as originais.

Limpar o ar – tanto em fábricas quanto em lojas de varejo – é uma forma das marcas reduzirem quase que instantaneamente sua pegada ambiental (empresas de tecnologia como a Airlab tornam isso possível). As labels também buscam maneiras de reduzir o desperdício usando embalagens biodegradáveis e sustentáveis – feitas de componentes como a cana – e materiais recicláveis, como tecidos feitos de plástico reciclado. Mas, é importante ir além e identificar momentos na cadeia de abastecimento em que usar menos material seja a coisa mais responsável a fazer e também a melhor economicamente.

Em um nível de design, as ferramentas 3D permitem que os criadores criem amostras virtuais. “O dinheiro que a indústria desperdiça em amostras é enorme”, disse um participante. “Se pudermos começar a projetar virtualmente em 3D, podemos evitar que as pessoas precisem viajar pelo mundo. Que impacto incrível poderíamos fazer”.

Além disso, aumentar a velocidade de introdução no mercado diminui as contagens totais de estoque, gerando menos desperdício e, nas melhores circunstâncias, maiores lucros.

Para avançar, a moda também deve abraçar a ideia de circularidade, de acordo com os participantes. Isso significa promover a criação de programas de retorno específicos da marca, como o da Patagonia, ou parcerias com sites de revenda, como o TheRealReal fez com a marca Stella McCartney, para criar um programa de incentivo que serve de ferramenta para retenção de clientes – aqueles que consignarem uma peça Stella McCartney no RealReal em 2019 receberão um crédito de 100 dólares para gastar em qualquer loja da marca de propriedade direta.

Naturalmente, programas como esses exigem participação do consumidor. “Como incentivamos um consumidor a usar roupas com responsabilidade?”, perguntou um participante. Outros sugeriram que a próxima geração esperará práticas responsáveis de marcas de luxo. “Para mim, um ponto-chave do luxo é o desejo … precisamos criar o desejo de ser sustentável”, disse alguém. Mas o consenso foi de que uma melhor regulamentação global será a chave para a mudança generalizada, improvável que venha apenas da indústria por si só.

“Não podemos subestimar o papel do governo e da regulação em tudo isso”, disse um convidado. “Se confiarmos apenas em jogadores selecionados, nunca chegaremos lá. Descobrimos que há poucas pessoas que querem fazer a coisa certa. Descobrimos que a maioria das empresas só faz a coisa certa quando precisa. Tem que ser de cima para baixo, através da legislação”.

Foto da capa – reprodução

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