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Closet por assinatura: o mercado de aluguel para além do acesso a grifes

18 de julho de 2018 - 18h02
Por Even More

As estratégias de economia compartilhada unem zeitgeist às necessidades financeiras do país com o closet por assinatura.

por Carmela Scarpi

O estudo sobre o comportamento de consumidor de moda feito pelo IEMI (Inteligência de Mercado) ao final de 2016, revelou um cenário pós-crise que afeta as decisões de compra de um cliente que passa a considerar “oferta de preço” um fator ainda mais determinante. A análise, feita em comparação com resultados de 2014, revela um aumento de 14% neste quesito.

Nessa perspectiva, vemos a queda de compras motivadas por “ocasiões especiais” (- 4%) e, curiosamente, um investimento maior em produtos que tenham mais referência de moda e tendências. Na categoria de roupas “jovem” o acréscimo é de 10% e para roupas “diferentes” 5%; em detrimento da roupa “básica” que cai 6%.

Confira a matéria: “A economia colaborativa é possível na moda?”

Segundo Marcelo Prado, diretor da IEMI, agora é a hora de mudar as estratégias de marca, pois o consumo retomará lento e apenas para alguns. Mas, como suprir o anseio por novidades junto à falta de recurso, ou interesse em investir, do consumidor atual?

Do empréstimo à assinatura

Com novos empreendimentos de moda surgindo diariamente, há quem acredite que a inovação resida nos modelos econômicos de compartilhamento. Como citamos em nossa tradução do artigo do Bof, mercados voltados à locação vêm expandindo ao redor do mundo utilizando a tecnologia própria de startups para se diferenciar e criar comodidades às pontas da cadeia.

Já confortáveis com o modelo de locação de roupas de festa, as empresas brasileiras criam outras alternativas para inserir a mentalidade de uso em detrimento à de posse em formatos mais casuais. E é neste momento que vemos surgir, por aqui, alternativas como a locação por assinatura. Em São Paulo, por exemplo, empresas como a Roupateca e a Blimo (o Netflix das Roupas), vêm se tornando uma realidade e propõem o compartilhamento comunitário de um closet mediante pagamento fixo mensal – os planos.

foto reprodução – Roupateca

Concentrado em um espaço próprio o armazenamento e com as responsabilidades de conservação e lavagem garantidas, os closets compartilhados por assinatura ganham identificação no imaginário de um público consumidor já habituado a outros formatos via pagamento mensal, como vinhos e literatura. Essas soluções retiram a carga do diferencial de empresas de locação com acesso a roupas de grifes necessariamente, e abrem portas para que diversas outras facilidades destaquem cada empreitada.

Uma solução para economia de tempo, espaço e dinheiro

Em Curitiba, a Use – Clothes for Us é pioneira. As sócias Lorena Schluga e Caroline Regio iniciaram, em 2017, o primeiro closet compartilhado da cidade numa proposta de dar mais valor ao empreendimento de moda que tanto almejavam. “Após algumas pesquisas descobrimos este modelo de negócio, que já existia fora do Brasil e em São Paulo, e nos apaixonamos”, conta Caroline.

foto reprodução – Use

Com formato de assinatura mensal, os planos disponíveis variam de R$89 à R$249 e podem chegar à locação de até 18 peças por mês com prazo de 7 dias – e o melhor: o cliente pode optar pelas suas preferências dentro de um acervo de cerca de 2.000 peças. “A principal dúvida é que muitas pessoas acham que temos tempo mínimo de adesão, mas não, você pode optar por assinar um mês apenas e voltar quando precisar”, comentam.

As sócias trabalham com a tríade de economia: tempo, espaço e dinheiro e, segundo elas, as clientes têm uma resposta muito positiva conforme percebem que as peças estão à sua disposição como um closet comum.

O impacto é real, numa pesquisa informal com 15 clientes elas descobriram que, após a adesão ao closet compartilhado, tiveram uma diminuição de compra de 500 peças por ano. “Agora, imagine esse número se conseguirmos multiplicar em outras lojas fora de Curitiba”, destacam.

foto reprodução – Use

Mais que apenas roupas

Além do formato, outro pilar fundamental para a realização da dinâmica da Use, hoje, é o atendimento voltado à consultoria individualizada na hora de escolher as peças. “Realmente focamos na consultoria, em empoderar as mulheres, fazer com que saiam daqui realmente seguras e autoconfiantes”, dizem.

Com planos de expansão, as sócias pretendem abrir outra sede em Curitiba, além da atual no Cabral, e de desenvolver uma rede de franquias, “só assim nosso objetivo de ser um negócio que realmente impacte na sustentabilidade poderá ser efetivado”, comentam.

E você acredita na economia de compartilhamento para moda? Conhece outras iniciativas? Comenta para a gente!

 

Serviço

Use – Clothes for Us

Local: Av. Paraná, 202, sala 902 – Cabral

Horário: de terça a sexta, das 11h às 19h | sábado, das 09h às 13h

www.sejause.com.br

@seja_use

 

 

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