BEFW: O compartilhamento que te permite ganhar dinheiro com seu closet


Durante o BEFW, um painel apresentou novas opções ao modelo de aluguel de roupas indo da maternidade ao aluguel direto entre consumidores.

Mudar é algo que traz resistência. Ao mesmo tempo, pensar em solucionar necessidades intrínsecas do nosso tempo, aponta para adesão. No painel do último dia de Brasil Eco Fashion Week, evento de discussão para sustentabilidade na moda que aconteceu na metade de novembro em São Paulo, todas essas questões foram levantadas dentro do segmento já nem tão novo do aluguel na área da moda.

Apesar de já bem digerível pelo consumidor em ocasiões de festa, ou mesmo mais compreendido dentro do segmento de luxo; as plataformas da mesa fugiam um pouco das discussões mais tradicionais para mostrar a viabilidade de pensar no compartilhamento como um estilo de vida.

Assinatura, um mercado em crescente ascensão

“Estávamos tentando emplacar esse modelo antes de Uber, ou Airbnb serem incorporados na cultura do brasileiro”, dizem Flávia Nestrovski e Daniela Ribeiro da Roupateca. A plataforma, que funciona na metodologia de assinatura mensal, é uma das pioneiras do segmento no Brasil e afirma que, apesar das dificuldades de adesão, o último ano foi um propulsor para dobrar em números o alcance e adesão ao modelo de negócio.

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Os números mundiais reforçam: segundo dados da GlobalData, o mercado de assinatura de aluguel de roupas foi avaliado em US$ 1 bilhão em 2018, com uma previsão de crescimento de mais de 20% ao ano, alcançando US$ 2,5 bilhões em 2023. De 2015, quando Flávia e Daniela criavam a Roupateca, para cá vimos uma expansão crescente do modelo que chamou a atenção inclusive das próprias marcas. Bloomingdale’s, Banana Republic, Macy’s e Urban Outfitters são exemplos de marcas que lançaram em 2019 seus serviços de assinatura de roupas, nos Estados Unidos.

Painel: “De consumidores a usuários da moda” com as empresas Roupateca, LOC e BumpBox apresentando seus nichos e revoluções dentro da cultura de compartilhamento

Direto da fonte, LOC permite alugar o closet de outra pessoa

A Roupateca e muitas das suas sucessoras criam uma curadoria em formato de loja, onde você centraliza operações, concentra o acervo para distribuição de quem chega até lá. Mas, e se fosse possível remover o intermediário da operação? Foi essa a inovação apresentada pela LOC, plataforma de aluguel de roupas entre usuários criada em Salvador e já implementadas em diversas cidades brasileiras.

Em formato de aplicativo, o LOC permite aos usuários encontrar peças disponibilizadas por outras pessoas da cidade, ao mesmo tempo em que também te permite colocar em circulação aquelas suas roupas que estão paradas no guarda-roupa gerando uma renda extra. Para participar, basta seguir o roteiro de cadastramento das peças no aplicativo, bastante intuitivo.

Segundo Filipe Tambon, as maiores dificuldades desde a criação é fazer a indústria entender o formato tão novo ao mesmo tempo trabalhar na confiança. “Uma plataforma como o LOC é baseada muito em confiança e ao mesmo tempo o consumidor tem uma expectativa de qualidade. O consumidor é quem diz se algo vai funcionar ou não”, comenta.

Assim como em outros aplicativos descentralizados, de gestão, como a Uber, o Loc cria um sistema de pontuação com pessoas chave, chamadas de TOP LOCs. E, com a interação da própria comunidade é possível fazer os ajustes necessários dentro da plataforma, validação ou denúncias.

Um período longo para não ter o que vestir, mas curto para comprar um closet novo

O empréstimo sempre foi uma cultura familiar em um período específico na vida das mulheres: gravidez. “Existe a cultura da malinha, da prima, amiga que estava grávida e te empresta algumas peças. Mas não é por que você está grávida que precisa usar roupas apenas pela função, é legal se sentir bem com algo pensado e desenhado dentro do seu gosto”, comentam Cintia Cavalli e Juliana Franco da Bump Box.

São quatro peças, em nove tipos diferentes de kits (foto reprodução)

A empresa, que tem um modelo de negócio mais híbrido surge para solucionar um período. A produção de peças é interna, como uma confecção comum, porém, ao invés de venderem, elas são colocadas para alugar. As caixas, com 4 peças em 9 tipos de kits diferentes, são enviadas para cada etapa de gestação solucionando com funcionalidade e estética um período de transição do corpo das mulheres.

Todo o design das peças é pensado para acomodar o local da barriga e é importante que no cadastramento do plano a cliente informe além de seu manequim pré-gravidez, o período em que está da gestação. “Temos a sorte de estar num nicho em que a ideia de compartilhar roupa já existia na cabeça das mulheres. O que foi importante explicar era que as roupas eram feitas para elas”, contam.

Em diferentes frentes e momentos de vida a economia de compartilhamento na moda toma uma nova forma a cada microrrevolução de pensamento. Seja na possibilidade de gerar renda com seu próprio guarda-roupa, ou solucionar as necessidades urgentes e periódicas da gravidez, os modelos de aluguel criam seus espaços no comportamento de um consumidor mais atrelado com propósitos de inovação e sustentabilidade. E, se hoje há novas descobertas, é preciso lembrar: “o trabalho de educar o consumidor vai evoluindo conforme o mercado vai evoluindo também, ele não acaba nunca”.

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