A CONSULTORIA DE IMAGEM E O ALUGUEL DE PEÇAS, LIVIA ANTONELLI FALA SOBRE COMO MONTAR UMA MALA DE VIAGEM DA MANEIRA MAIS CONSCIENTE POSSÍVEL


Comprar novas peças na hora de viajar é a única solução? Não mais. A cultura de locação começa a surgir como uma alternativa viável, onde os consumidores podem adquirir peças atuais com personalidade e autenticidade. De acordo com o WGSN, estima-se que em 2021 a sustentabilidade será um pré-requisito de consumo.

A hora de montar uma mala de viagem é sempre um momento apreensivo para muitas mulheres e é a hora onde o impulso para adquirir novas peças acontecem. A ajuda de uma consultora de imagem com o auxilio do aluguel de peças compartilhadas podem ser a solução nesse momento, além de instigar o consumo consciente.

Conversamos com Livia Antonelli sobre as principais dificuldades na hora de montar a mala de viagem e de como o aluguel de roupas pode ajudar. Livia é consultora de imagem pela Ecole Supérieure de Relooking, coach certificada pela Sociedade Brasileira de Coaching, administradora e especialista em Gestão de Talentos e Comportamento Humano pela Universidade Federal do Paraná e mestranda em Administração de Empresas pela Universidade Positivo. Desde 2010, atua na área de Recursos Humanos, com desenvolvimento e performance de pessoas. Hoje, Livia conduz o Você Além do Básico e no seu perfil do Instagram (@vocealemdobasico), dá dicas de looks e divulga seu trabalho de Consultoria de Imagem.

Even More: Quando as clientes passam por um processo de consultoria e se deparam com a necessidade de organizar malas de viagem, quais são as principais dificuldades? Essas dificuldades variam de acordo com o clima do destino (verão x inverno)?

Livia Antonelli: Acredito que a principal dificuldade é que queremos nos sentir bem e confortáveis para aproveitar o destino da viagem, mas ao mesmo tempo queremos nos sentir bonitas. A maior preocupação, no geral das minhas clientes, é do medo de não se gostarem nas fotos ou de não se sentirem bem durante a viagem e passar perrengue. Pelo que eu sinto, a dificuldade principal não está de acordo com o clima, mas sim com relação à usar uma roupa legal e confortável onde elas se sintam bonitas.

EM: É comum que as clientes busquem por novas peças que serão necessárias apenas na hora de viajar?

LA: Acredito que sim, tenho clientes que as vezes me falam: “Vamos ver o que eu vou precisar comprar para levar” (risos). Elas sempre acham que não têm tudo e que sempre precisaremos comprar algo novo. Quando fazemos as montagens de looks isso meio que caí por terra. É ali que as clientes vêem que já tem tudo o que precisam levar, mas se às vezes estamos com um tempo muito corrido e não temos tempo de fazer a montagem de looks, é normal que elas sintam a necessidade de comprar algumas peças. Então, sim, é comum. Desde as coisas mais simples, como calcinhas, até as peças mais especificas como casacos ou então biquinis (se a cliente estiver indo para a praia). E também existe essa necessidade de sempre usar algo novo na viagem, pois é um momento especial.

EM: Como você enxerga a viabilidade do aluguel de peças de roupas neste momento de organizar a mala? É possível ser feita uma mistura das peças alugadas com as peças que a cliente já possui?

LA: Eu acredito que é super viável, eu acho super legal. Eu mesma já usei esse serviço, sou parceira do Amiga Me Empresta e sempre compartilho o serviço delas nos meus workshops. Ano passado eu fiz uma viagem de um fim-de-semana para a praia e levei algumas peças do acervo delas para compor com os meus looks e foi uma experiência muito legal, pois temos aquilo de querer usar algo novo na viagem, então é bacana compor isso com alguma coisa que a gente já tem ou pegar peças únicas como um macacão ou um vestido. Também é uma oportunidade da gente se ver de uma forma diferente: Por exemplo, se eu tivesse vontade de usar um macacão, mas não soubesse se eu realmente usaria um e se valeria a pena comprar, seria viável alugar antes. O aluguel pode servir para isso também, nos tornar mais acertivas nas compras.

Com clientes eu ainda não usei. Eu já indiquei para amigas e colegas de trabalho, mas com clientes ainda não tive a oportunidade. Quando montamos os looks geralmente vemos que não é necessário adquirir nada novo, ou então são peças que geralmente não temos opções de alugar, como biquinis ou saídas de praia.

Livia conduz o Você Além do Básico e no seu perfil do Instagram (@vocealemdobasico), dá dicas de looks e divulga seu trabalho de Consultoria de Imagem.

EM: Você Acha que esse modelo de negócio ainda precisa ser mais divulgado? Qual o nível de aceitação das clientes?

LA: Sim, acho que esse modelo de negócio precisa ser mais divulgado. Acho que é uma tendência, mas poucas pessoas sabem sobre isso. Quando eu falo disso nos meus workshops, eu gero uma certa surpresa. Muitas pessoas ainda não consideram isso como uma opção, apesar de sempre terem a necessidade de adquirir algo novo. Hoje tenho clientes mais conscientes do consumo, com um olhar diferente e aceitação. Apesar de não ser a maioria, acredito que em torno de 30% das minhas clientes aceitam. Quando eu comento desse modelo de negócios, a maioria acha bacana. Então acredito que deveria ser bem mais divulgado.

EM: Você acha que é uma vantagem evitar algumas compras de ocasião que podem ser desnecessárias posteriormente (como alguma peça muito trendy e afins?)

LA: Com certeza! Como já disse anteriormente, sempre temos alguma situação de viagem ou evento onde não queremos comprar uma peça que não sabemos se vamos usar depois. Esses guarda-roupas compartilhados são muito bons para isso, pois servem para testar e avaliar se aquela peça realmente faz sentido com as outras que você já tem ou não. E claro, temos situações onde queremos usar roupas diferentes do nosso estilo, como em viagens ou eventos, peças que não seriam usadas no nosso dia-a-dia.

EM: Quando é realmente necessário comprar algo novo num processo de consultoria?

LA: Quando eu faço a consultoria de imagem com as clientes nós temos algumas etapas, grande parte das consultoras depois de fazerem a limpa no guarda-roupa partem para as compras, mas eu não faço assim. Primeiro, fazemos a revitalização do guarda-roupa e fazemos as montagens dos looks para a estação atual e só se sentirmos falta de alguma peça 3x durante a montagem dos looks, essa peça é acrescentada na lista de compras. Depois disso eu converso com a cliente para vermos o que realmente será necessário comprar com prioridade. Às vezes as clientes acham que precisam comprar um guarda-roupa inteiro, mas na montagem de looks elas descobrem que precisam apenas de um sapato ou de um blazer. No final a cliente percebe que já possui muita roupa que consegue ser otimizada.

Quando eu estou fazendo a montagem de mala com uma cliente fazemos o mesmo processo, tentamos usar aquilo que ela já tem no guarda-roupa. Uma opção que eu sempre sugiro é que as cliente comprem na viagem algo que falta, assim depois elas tem aquilo como lembrança. É como se fosse uma missão que elas precisam cumprir na viagem e elas adoram, é uma forma bacana de sair do comum.

EM: Quais itens você acha que seriam mais facéis alugar na hora de montar alguma mala? (acessórios, peças de festa, tendências, etc).

LA: Com certeza os acessórios, isso faz todo o sentido. Em viagens precisamos levar poucas coisas e os acessórios são os itens que fazem menos peso na mala e cabem em qualquer canto. Seria muito legal ter um local com opções de bolsas, brincos, colares, pulseira, lenços. E também peças de tendência, pois sempre queremos parecer “na moda”. Com uma tendência o look já fica atual, ele pode estar todo básico, mas com aquela peça que possui um corte ou uma cor mais moderna ele já muda.

Agora pensando em outras ocasiões, acredito que nas peças de festa ainda temos algumas restrições, pois para alugar vestidos de festa ainda se cobra muito caro. Sempre escuto de clientes “Se for para pagar R$ 500,00 em um aluguel, eu prefiro comprar um e gastar R$ 700,00 em um vestido novo”, mas eu também acho legal essa opção.

EM: Três dicas para uma mala de viagem com menos impacto?

LA: Primeiro, fazer compras direto do seu guarda-roupa: tentar usar aquilo que você já tem, compor de uma forma diferente aquilo que você já usa no seu dia-a-dia, sempre adaptando no contexto da viagem. Caso isso ainda não seja suficiente, eu sugiro que você empreste de alguma amiga ou familiar. Acredito que ainda trocamos muito pouco com nosso círculo de convivência e pode ser que ali tenham peças muito legais de pessoas com um estilo parecido com o seu ou então peças herdadas e diferentes. Depois, eu indicaria o aluguel e na última opção eu indicaria a compra, mas indico comprar na viagem para já ficar de recordação.

Segunda dica: Ter consciência de que a viagem é a experiência que você vai presenciar lá. Eu sempre digo para minhas clientes e amigas não perderem tempo correndo em shopping comprando coisas que muitas vezes acaba-se nem usando. É mais proveitoso gastar esse tempo organizando a viagem e planejando os lugares que você deseja visitar e coisas que você gostaria de fazer.

Terceira dica: Ter a consciência de que independente da viagem, você precisa usar as peças depois dela também. Então, caso você compre algo seja antes da viagem ou durante a viagem, seja algo que você possa incluir na sua rotina e no dia-a-dia.

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