4 marcas que assumiram o plástico de maneira mais inteligente


Como já discutimos na última matéria sobre por que evitar a inserção de plástico na cadeia de moda (leia aqui), algumas soluções como quebrar a cadeia circular de outras indústrias para introduzir soluções aparentemente sustentáveis é uma decisão arriscada. Porém, para além do vestuário em si, outras abordagens sobre a introdução deste plástico podem ter uma melhor serventia.

Ultrapassada a questão sobre a geração de microplástico em lavagens domésticas, fato que é um dos catalisadores da quantidade de plástico nos oceanos hoje, podemos vislumbrar alternativas para absorver este material dentro, ou da própria cadeia, ou por meio de técnicas que garantam uma extensão da vida útil do material sem inviabilizá-lo. Hoje, listamos 4 marcas que entenderam de uma maneira mais inteligente, o uso do plástico na moda do futuro.

Grendene:

Na última matéria em que abordamos a logística reversa na indústria de calçado, citamos a Melisssa (leia aqui). Pelo site, a Grendene cria um diálogo com o público para tentar atualizar a fala sobre o plástico na moda. Isso porque, com possibilidade de reciclagem e logística reversa operando, o material pode ser uma fonte longeva de matéria-prima não virgem para a cadeia a que se propõe.

“Quando tem propósito e cuidado com o que tá ao redor, as definições de plástico precisam ser sempre atualizadas”, diz o site. Uma campanha que combate ao plástico de uso único que se propaga como lixo é desvinculada da visão de uso contínuo dos calçados que são bens duráveis e de uma fonte 100% reciclável. Desde outubro de 2019 todos os Clubes e Galeria Melissa são ponto de acolhimento de pares inutilizados. Como abordamos na outra matéria (leia aqui), esses pares podem tanto ser destinados à voltar a cadeia em novos modelos, como enviados às recicladoras locais.

I Do Design:

Operando desde 2019, em Curitiba, a I Do Design já foi pauta pelo EVENMORE por conta da abordagem de reaproveitamento e tecnologia envolvidos na produção artesanal de acessórios feitos de: SACOLAS PLÁSTICAS.

Anna Boechat, responsável pelo desenvolvimento da técnica, contou em entrevista para o site (confira aqui) que a urgência para resolver suas questões com as sacolas paradas em sua casa a levaram a criar uma forma de explorar o lado criativo em uma matéria-prima vista como lixo. A produção mantém as características de plástico em si, sem misturar o material, apenas com intervenções gráficas de cores.

Cerca de dois anos de pesquisa, e a descoberta da plataforma holandesa de open source Precious Plastic, foram fundamentais para que os resultados que unem novas superfícies plásticas e resíduos gráficos. Os produtos trabalham bem com calor + pressão – que é a fórmula utilizada para a reciclagem de plásticos PEAD (aqueles de sacola de mercado).

foto repprodução (@idodsgn)

Amaro Cares – Rethink Plastic:

A marca de fast-fashion, Amaro, lançou no último ano um novo modelo de embalagem para os produtos entregues nas casas de clientes que pretende substituir o plástico virgem por matéria-prima proveniente de descartes na costa brasileira. A iniciativa faz parte do movimento Rethink Plastic –  que tem como objetivo repensar o uso de plástico na cadeia da marca, parte da Amaro Cares – que apoia ações ambientais e sociais no Brasil.

Com quantidades grandes de embalagens demandadas pelo formato de operações da marca, a iniciativa busca minimizar impactos além de fazer circular uma cadeia que se mantém como plástico – melhor que a falsa impressão de sustentabilidade passada pela introdução deste mesmo resíduo em fibras têxteis.

A empresa já trabalha com outros dois modelos de embalagens de menor impacto: a sleeve packaging, envelope 100% reciclável já utilizado em 50% dos pedidos (segundo dados da própria marca), e as caixas de papelão com o selo Eu Reciclo, que certifica a logística reversa de uma porcentagem dos pedidos enviados dentro delas.

footo reprodução (Amaro)

Vinylize:

A Vinylize é uma marca húngara que dos anos 2000 que visualizou uma oportunidade de criar um upcycling refinado no uso de uma matéria-prima desafiadora: o vinil. Um dos plásticos mais resistentes do mundo foi estudado por anos pelo fundador Zachary Tipton até encontrar uma forma de utilizar o material na produção das armações da marca. Os primeiros vinis usados foram discos garimpados em mercados de segunda mão em Budapeste.

Hoje, a maior parte do material utilizado vem de distribuidores em Londres, porém, há ainda uma quantidade doada por gravadoras independentes e coleções pessoais. Todas as peças são feitas manualmente na fábrica da marca em Budapeste e pode chegar a 6 semanas para ficarem prontas.

foto reprodução (Vinylize)

Repensar até a própria reintrodução do plástico numa cadeia dependente dele, como a moda é a alternativa mais razoável hoje para falar de uma redução eficaz de impacto. Contudo, vale ressaltar que numa perspectiva de mercado pós-petróleo é interessante investir ao mesmo tempo que em circularidade, nas soluções sobre biomassa e produtos além do plástico.

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