3 fast-fashions que abraçaram iniciativas de redução de impacto e como


Isso resolve o problema central? Nem de perto. Mas informação liberta e elencamos o que vem sendo feito para você entender para onde precisamos ir

por Carmela Scarpi

Se pensarmos desde a terceirização, o deslocamento de produção para polos onde a mão de obra se torna mais atrativa pelo preço, até a falta de planejamento sobre absorção de excedentes pós-consumo (peças prontas ou resíduos de confecção); o modelo de operações fast-fahsion está realmente longe de sanar seus impactos com ativações pontuais em lavanderia, por exemplo. Contudo, a pressão de um consumidor mais consciente que se manifesta há anos, começa a acelerar decisões de mudança mesmo em operações gigantescas.

Leia também: Contra a massificação do conteúdo de moda, nomes do segmento criam refúgios em iniciativas próprias

Para termos um panorama mais didático sobre o que vem sendo feito, separamos três das maiores redes de varejo deste segmento, para buscar nas informações disponíveis ao consumidor, pontos de ativação em busca de melhorias, relacionados aqui apenas ao meio ambiente. É um compilado opinativo, para conhecermos e refletirmos juntos.

Importante lembrar que, quando tratamos de redução de impacto, alternativas podem contribuir para solucionar as consequências de anos de descaso, em especial no tocante à mudança climática e poluição nos oceanos. Contudo, por mais que as ações tenham um reflexo positivo e possamos vibrar com mudanças, é preciso ter em mente que são atitudes urgentes e paliativas, ainda não estamos discutindo a causa do problema.

1. Renner

Comunicação: Dentro do blog da marca há a categoria “Moda Responsável” onde existe a comunicação de iniciativas, junto a conteúdos sobre redução de impacto.

Ativações vigentes: O selo “Re-moda Responsável” foi criado para identificar o lançamento de peças com menor impacto ambiental e vem sendo desenvolvido desde maio de 2018, data da primeira coleção chamada de Re Jeans (com peças compostas de algodão reciclado pré-consumo e PET reciclado). Bem antes disso, em 2007, a Renner já se mostrava pioneira em relação às outras marcas por inaugurar um departamento específico para sustentabilidade, com objetivos de reduzir impactos ambientais e otimizar a cadeia para maior eficiência nos processos. Nas publicações, é citada a ABRAPA (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) e o movimento “Sou de Algodão” como iniciativas onde a rede busca Algodão Brasileiro Responsável para compor coleções com selo Re-moda.

Planos de desenvolvimento: Em 2018, o lançamento do projeto Re-moda marcou também o início da implementação de circularidade dentro da gestão de processos da marca. Além disso, a empresa divulgou metas para 2021 que incluíam: 80% de produtos feitos a partir de matéria-prima e processos que eles nominam como menos impactantes; utilizar em 100% da cadeia de fornecimento algodão certificado BCI (Better Cotton Iniciative); usar fontes renováveis de energia em 75% do consumo corporativo; reduzir em 20% emissões totais de CO2 e ter 100% dos fornecedores certificados por entidades internacionais.

 

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Acabamentos naturais, estampas coloridas e tecidos leves. Os atributos que você procura nas suas produções de verão também podem ser mais responsáveis. Produzidas com tecidos que possuem menor impacto ambiental, essas peças trazem o toque de inspiração natural para as suas estampas. Nunca é tarde para combinar moda consciente e tendência! Inspire-se e transforme seus looks trazendo ainda mais estilo para o seu dia a dia. Compre online e receba em casa ou retire na sua loja favorita: regata 549637615 + calça 549637682 + blusão masculino 549625788 + biquíni top 549701445 + biquíni calcinha 549701509 + camisa 549626481 + maiô 549836024 + vestido 549626342 #IssoÉRe . . . #PraTodosVerem #PraCegoVer: o post é um vídeo captado em meio a árvores, lagos e cachoeiras. Ele começa com uma mulher parada em cima de uma pedra com os olhos fechados e o rosto direcionado para cima, sendo iluminada pelo sol. Ela veste um conjunto de blusa regata cropped e calça em tom de bege, e sandálias rasteiras brancas. Na sequência temos um homem em pé, caminhando. Ele está usando uma blusa de manga longa bege com uma estampa no lado esquerdo da planta Jatobá. Logo depois, o modelo aparece de costas, e a mulher do começo do vídeo aparece de frente para a câmera, com a cabeça encostada no ombro dele. Na sequência aparece uma cena com galhos de árvores e raios de sol que passam entre eles. A cena muda e temos a mulher do começo do vídeo sentada em uma canoa. Agora a modelo veste um biquíni e uma camisa. Todas as peças são brancas, com a mesma estampa inspirada na planta Ucuuba. Logo depois temos um zoom da mão da mulher, que toca a água do lago. Ela aparece de pé e com os cabelos molhados, agora vestindo um maiô com a mesma estampa do biquíni anterior. O vídeo termina com a mulher usando um vestido regata preto com recortes laterais e estampa de flores em tons claros de rosa e verde. Ela está olhando para cima em frente a queda de uma cachoeira. O vestido dela balança levemente com o vento.

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Observações: A comunicação da nova coleção do selo Re-moda Responsável, ativa hoje nas redes sociais, é eficaz ao utilizar nomenclaturas como “menor impacto ambiental” para falar sobre fibras e manejo de produção. Melhor do que envelopar a comunicação dentro da categoria “sustentável”, o que seria um erro, uma vez que mesmo com temas interessantes, os métodos da marca estão longe do conceito de sustentabilidade. O lançamento de 2018 é um exemplo: a matéria-prima à época é composta com PET reciclado o que, já sabemos, quebra a cadeia de reciclagem possível do plástico. Além disso, falta uma comunicação mais clara sobre a aplicação de logística reversa para as peças em si (como o usuário pode destinar o produto pós-consumo e como ele será absorvido pela empresa). Não há uma distinção no e-commerce sobre peças feitas com o selo Re-moda em relação aos demais produtos. A comunicação é feita essencialmente pelas legendas em redes sociais, que podem ser efetivas, mas somente se aquele for o caminho do consumidor.

2. C&A

Comunicação: Existe um site específico com todas as políticas de redução da empresa, o Sustentabilidade C&A. É importante diferenciar essa comunicação do Instituto C&A – que é outra plataforma, porém financiada pela marca.

Ativações vigentes: Em 2018 a empresa lançou uma campanha mundial por meio de mídias sociais com a hashtag #VistaAMudança para criar uma proximidade maior do consumidor com o assunto. Internamente, a sustentabilidade de maneira geral tem ações a partir de 2009.

Segundo o site da marca, a C&A atua em três frentes principais: produtos, rede de fornecimento e um que eles intitulam “vidas”, e diz respeito aos cuidados com as pessoas envolvidas na cadeia de produção, ou seja, impacto social. Pelo site também é possível ter um panorama simples das atuações da marca, desde o desenvolvimento da “Loja Eco” em Porto Alegre, que em 2013 se tornou a primeira loja do varejo de moda no Brasil com o selo LEED; ao “Jeans Sustentável”, que eles categorizam por utilizar fibras de algodão produzidas de forma mais sustentável e com a utilização da água de maneira mais eficiente. Em 2019, a coleção da Semana do Jeans promovida pela marca teve 100% dos produtos adquiridos de parceiros que incentivam o algodão cultivado com menor impacto – esta mesma matéria-prima já é incorporada desde 2014 em outras coleções.

Vale lembrar que a C&A foi a primeira empresa do varejo de moda no Brasil a articular uma rede de fornecimento para desenvolver uma linha com redução de impactos, e pela inciativa eles venceram o Prêmio ECO 2016, realizado pela Amcham, na categoria Produtos. Em relação à circularidade, eles possuem desde 2017 o Movimento ReCiclo, um programa piloto de coleta de roupas usadas (presente em 80 unidades no Brasil), que tem como principal objetivo oferecer alternativa de descarte. As destinações desses produtos variam entre reutilização ou reciclagem por empresas parcerias (Retalhar e Centro Social Carisma). É possível baixar os relatórios de sustentabilidade anuais da empresa desde 2009.

Planos de desenvolvimento: As metas globais para 2020 incluem: 100% dos produtos de algodão feitos a partir de algodão cultivado e produzido de maneira mais sustentável e 67% de todos os produtos feitos com material mais sustentável de forma geral. Em 2018, as porcentagens foram 44% e 23%, respectivamente. Outro objetivo é aumentar o alcance de iniciativas de Economia Circular na cadeia de produção – desde 2016 a C&A integra a rede Circular Economy 100 (CE100) da Fundação Ellen MacArthur, globalmente.

 

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A nova coleção de #Mindse7CeA, #NightGarden chegou trazendo o romantismo que você procurava. Com looks versáteis que exploram elementos como a transparência,os babados e as estampas florais, que remetem sofisticação sem esforço algum. Venha se apaixonar pelo seu novo look favorito. Macacão Ref. 9734189| T-shirt Ref. 9724588| Jeans Ref. 9687366| Blusa tricô Ref. 9734179 . . . #PraCegoVer vídeo de trinta segundos em que aparece uma modelo negra de cabelos escuros usando vários looks da nova coleção de Mindse7 C&A. Entre eles um conjunto de jeans e t-shirt azul com frase estampada, macacão jeans com lavagem escura e blusa transpassada em tricô mostarda.

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Observações: Talvez uma das abordagens mais completas da nossa lista, a C&A busca atender a demandas de vários pontos da cadeia produtiva. Mas, é preciso sempre observar o formato de operação em si e pensar nesse impacto como um todo. Hoje, a rede opera numa transformação digital fundamental chamada Mindse7. O projeto busca trazer por meio de dados de inteligência artificial uma nova coleção por semana. Entre a hora que a equipe de pesquisa identifica uma possibilidade de coleção cápsula até a chegada nas lojas, levam-se 35 dias. Agilidade e disponibilidade, por mais que imprescindíveis aos posicionamentos de marcas contemporâneas, têm impactos profundos, em especial na percepção de valor das peças e volume de consumo em oposição à qualidade de experiência, sem falarmos em volumes de produção que precisarão ser reabsorvidos. É bom sempre ficar de olho.

 3. Riachuelo

Comunicação: A Riacheulo tem uma aba intitulada “Sustentabilidade” dentro do próprio e-commerce. Ao final da página inicial, na categoria “Moda Consciente”, ela divide espaço com os subtítulos “Jeans Transparente” e “Entre Costuras”.

Ativações vigentes: O foco principal das ações da marca estão mais na cadeia de produção e menos nos produtos em si, como nas anteriores. Eles possuem um projeto de gestão de estações de tratamento de esgotos e afluentes (ETE/ETA), com uma estação doméstica e outra industrial que recuperam 100% da água. A lavanderia industrial que fica em Fortaleza ainda utiliza processos menos nocivos e mais eficientes como o ozônio, o laser e as nebulizações, que contribuem para uma redução em até 20 vezes de utilização de água – fora a diminuição do uso de produtos químicos e da geração de efluentes. A aparas têxteis do parque industrial são vendidas para empresas que as desfibrilam, fazendo uso deste material para fabricação de outros produtos de menor valor agregado.

Em 2017, a Riachuelo iniciou um plano de logística reversa nas lojas de São Paulo para um programa de gestão de resíduos sólidos, em que os caminhões que fazem o abastecimento das lojas recolhem resíduos recicláveis. Fontes de energia renováveis também são citadas. O grupo gestor Guararapes faz uso de energia incentivada (compradas na plataforma Mercado Livre diretamente das fontes como Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCH), Biomassa, Eólica e Solar) e, desta forma, garante que 90% das peças feitas em jeans, por exemplo, sejam produzidas a partir de fontes renováveis de energia. Outros dados do site apontam uma redução de 40% até 85% no uso de produtos químicos na lavanderia e de 35% a 90% na economia de água. Referente ao jeans, o site traz dicas de lavagem para ajudar na manutenção e longevidade da peça.

Planos de desenvolvimento: Um relatório intitulado “Planejamento Estratégico de Sustentabilidade” traz como políticas da empresa na categoria “Desenvolver produtos para uma Economia mais sustentável” os itens: selecionar e utilizar matérias-primas com requisitos socioambientais certificados e incentivar a logística reversa de roupas.

Observações: Por animador que seja a abordagem já desde a produção das peças com energias renováveis, diminuição de uso de químicos e tratamento de água, é fundamental trazer a integração desse discurso de redução de impacto para o consumidor de forma mais efetiva. O jeans em si pode ser feito de maneira mais consciente, mas ainda é uma seleção muito específica para oferecer de alternativa ao consumidor num momento de compra. Urgente também incluir pautas mais palpáveis e mensuráveis como planos de desenvolvimento da marca, em especial no que toca à circularidade dos produtos, não apenas a logística reversa de resíduos sólidos das lojas.

 

foto da capa: divulgação/ @lojasrenner

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