(2)collab o lugar para encontrar marcas brasileiras independentes


O marketplace integra o grupo Icomm, que abriga os portais Shop2gether e OQVestir, e cria plataforma para que marcas brasileiras independentes tenham suporte na gestão online e consumidores um lugar para buscar o que precisam.

Há alguns dias, Amazon Fashion, Vogue US e o CFDA (Council of Fashion Designers of America) anunciaram a parceria na criação de uma plataforma, chamada Common Thread como a inciativa de arrecadação de fundos criada pela Vogue e CFDA, para jogar luz e auxiliar pequenos designer de moda dos EUA, em tempo de crise (leia aqui). Pelo Brasil, nossa inciativa surgiu antes, no início de abril, com o lançamento do marketplace (2)collab (www.2collab.com.br). Dentro do guarda-chuva do Icomm Group, criado em 2017 com a fusão das plataformas Shop2gether e OQVestir, o novo empreendimento tem um nicho definido: marcas nacionais independentes.

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Feito aqui, a aceleração do desejo pelo fortalecimento local

Mariana Mendes, fundadora do OQVestir e head de novos negócios no Icomm Group, nos contou que o projeto vinha sendo amadurecido após uma reunião de discussão de ideias, e que a pandemia, foi um momento de realçar ainda mais sentido do novo negócio. “Nós pessoalmente consumíamos outras marcas além das que vendíamos nas plataformas do OqueVestir e Shop2gether. Comentamos sobre a pluralidade do varejo, como ele é muito pujante, muito criativo. Temos tantas marcas dentro de casa, mas víamos a possibilidade de aderir a iniciativas novas, de ser um novo veículo de suporte. E hoje sabemos que existem marcas muito legais que não conseguem crescer a ponto de chega a e-commerce grande e se posicionarem”, explica.

UM HUB CATALIZADOR

A ideia de uma nova plataforma que abrigasse a iniciativa surgiu pela distinção de público e pesquisa de mercado. “Precisávamos criar outro modelo de negócios para atender a premissa de ter um projeto que fomentasse o empreendedorismo nacional. Queríamos ir para outro público que não fosse os mesmos das outras plataformas”, conta Mariana.  

Com pesquisas sobre a evolução do mercado e adesão de consumo ao slow fashion e moda consciente na Europa, Mariana ainda afirma que o paralelo ao que o segmento de gastronomia passou por aqui traz um panorama sobre o processo de expansão deste mercado no Brasil. “O consumidor está migrando para essa atenção aos produtos, buscar algo que seja feito com mais propósito, com uma matéria-prima às vezes melhor. É um consumidor mais atento, que valoriza um produto de forma artesanal, feito em pequena escala, que tenha menos impacto”.

Em 2018, o Instituto Akatu, ONG que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente, realizou uma pesquisa que dividia 1.900 pessoas em 4 categorias de engajamento com a sustentabilidade no Brasil. O relatório final apontou crescimento significativo na mudança de comportamento dos consumidores às pautas de redução de impacto, a categoria “iniciante” teve um crescimento de 32%, em 2012, para 38%, em 2018. Na mesma pesquisa, foram identificados gatilhos que impediriam uma adesão maior ao consumo consciente, dentre eles, os pensamentos de que “é mais trabalhoso” e “são mais difíceis de encontrar para comprar”.

Neste pensamento, a (2)collab surge como ponto de encontro e uma facilitadora de conexões, seguindo como referência o marektplace britânico de novas marcas, ASOS. “Pensamos que seria muito legal agrupar essas pessoas e marcas. Porque se você não consegue dar uma cara e identidade a essas iniciativas, num mesmo espaço, os consumidores se perdem. Queríamos que as marcas de fato se conversassem, para que juntando essas empresas você desse mais força a cada uma individualmente”, explica Mariana.

O MARKETPLACE

A partir dessa premissa e focados num público early adopter (os pioneiros de mercado), a (2)collab estabeleceu suas 5 premissas para inclusão no marketplace: criatividade, originalidade, moda consciente, diversidade e genderless. Seguindo o cuidado das irmãs do grupo, a iniciativa opera por meio de uma curadoria fechada, com preocupação na escolha de cada marca. “O grupo Icomm sempre teve um DNA de curadoria muito forte, tanto pelo OQVestir quanto na Shop2gether. Selecionar marcas, produtos, fotos com bastante cuidado. Então pensamos: como manter a Icomm nesse novo formato? Através de um marketplace com foco em curadoria”.

Para o lançamento, 40 marcas foram mapeadas e convidadas, mas a ideia é expandir. “Temos uma landing page onde marcas podem submeter um pedido de participação e temos um comitê de curadoria. Já recebemos mais de 150 solicitações para participar, são marcas muito legais, mas é um trabalho de formiga. Tem um processo de cadastro, e temos também pessoas fazendo o mapeamento pelo Brasil. Em breve devemos subir uma leva de 25/30 marcas novas no site”, conta Mariana.

Hoje, o marketplace é um facilitador das operações de e-commerce, muitas vezes uma barreira de gerenciamento para marcas menores. Mas elas têm autonomia, sendo responsáveis pela gestão de estoque, entrega, preços e pela produção de fotos. “As fotos são feitas pelos estilistas para mantermos a originalidade de cada marca, disponibilizamos um guia de produção de imagens para suporte”, explica.

Quanto ao mix de produtos disponíveis e o alcance em regiões pelo Brasil na plataforma, a intenção é mantê-los variados e atrativos para o consumidor. “A ideia é ter marcas do Brasil todo, já temos marcas de vários lugares e queremos ampliar essa regionalidade. Tenho pessoas da equipe que ficam procurando marcas em outros mercados, mas a prioridade no momento é completar o mix e ter uma oferta equilibrada”, revela.

Feed do Instagram @2collab_ (reprodução)

PLATAFORMA DE CONTEÚDO

Mantendo hoje as operações de venda no site e via redes sociais um diálogo sobre o nicho, com dicas, lives e inspirações; Mariana conta que a parceria com a jornalista de moda Camila Yahn como consultora criativa traz diversos panoramas na construção desta voz. “Temos mil ideias, mas dois braços para executar”, brinca. Com o desenvolvimento das ações, ela revela que há um desejo de criar uma plataforma de conteúdo também dentro do site. “E não só conteúdo próprio, criar um hub também de conteúdo, com tantas pessoas no Brasil criando e divulgando tanta informação”.

Sentindo como a adesão e novos designer desempenharão no espaço digital, a construção pretende ser tão criativa quanto a produção de cada inciativa que adere ao grupo. “A partir do momento em que damos voz e trazemos pessoas, nós fortalecemos a comunidade. Juntos somos mais fortes. Quando você vê várias pessoas aderindo a um comportamento, você também passa a cogitar aderir, é o movimento de onda que sabemos que o mercado tem. Acho que o projeto é onde a gente entra como função social de um grupo grande. Poder proporcionar, dar voz e força a esses talentos”, afirma.

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